19.5.08

Puerto Madero, Buenos Aires, Argentina.

Os porteños referem-se a Puerto Madero com indisfarçável orgulho. Aliás, quando se referem à sua cidade, fazem-no de igual forma. E percebe-se porquê em ambos os casos. E também se percebe porque é que os argentinos são olhados de soslaio pelos outros sul-americanos. Basta estar lá e ter tido a experiência de conhecer outros países da América do Sul (estou a cingir-me à minha experiência). Diria que o Uruguai também padece do mesmo mal, mas sem se lhe atrubuir tão grande significado. É que a Argentina, os argentinos e Buenos Aires e os porteños em particular são, e gostam de ser percepcionados assim, do mais europeu que se possa imaginar. A arquitectura da cidade, o parque automóvel, o modo de estar, a postura, eu diria até os traços físicos, se conjugam e contribuem para quem chega, ter essa sensação. Estou para aqui a escrever e daqui a pouco perco-me em divagações. Isto tudo por causa de Puerto Madero, que é a zona mais moderna de Buenos Aires e onde é um prazer estar. Puerto Madero é arejado, amplo, acolhedor e limpo, e onde não nos sentimos incomodados com a sofisticação, que convive lado-a-lado, e bem, com a simplicidade. Retomando o fio à meada, ou seja, à tal percepção europeia, de repente fez-se luz sobre a razão do início deste post. Em Puerto Madero alguns dos restaurantes têm os mesmos nomes de outros famosos aqui no Velho Continente como por exemplo o Buda Bar ou o Asia de Cuba, e não lhes ficam atrás, é bom que se diga. A decisão não foi difícil por conhecer os “originais”. Estando em Buenos Aires, quem no meu lugar não se decidiria pelo Aires de Patagónia? E decidi bem, e melhor proveito tive, não só por ter desfrutado das excelentes especialidades regionais, sem esquecer, que estaria a cometer um injustiça imperdoável, a extraordinária garrafeira que a carta de vinhos deixava adivinhar. O ambiente, rústico e requintado, onde as madeiras se combinam harmoniosamente com pedras vulcânicas, criam uma atmosfera original, tornando a refeição num momento único em Puerto Madero.

8 comentários:

ana v. disse...

Mike,
Com estas descrições gastronómicas e sabendo que os olhos também comem, qualquer dia estou igual às boterianas que vocês analisam ao milímetro... ou seja, vou ficar com MUITOS milímetros a mais!

Once In a While disse...

.. e que seria da Vida sem momentos únicos .. ainda que irrepetíveis.

:)

mike disse...

Ora Ana, mais milímetro, mais milímetro... que importa? (risos)

mike disse...

Humm... não sei, Miss Once, se seria assim tão radical... :) Há momentos que são únicos (sentidos assim naquele momento) mas não deixam de ser repetíveis. Mais, deviam ser repetidos... :) :)

O Réprobo disse...

Meu Caro Mike,
conhece o Meu Amigo o blogur do Nosso Confrade Euro-Ultramarino, Português radicado em Buenos Aires?

Ainda no outro dia dizia à Cristina Ribeir do meu espanto em ter visto no mapa ue alguém me lera... na Patagónia!

E, por fim, recordaria que "ir para Buenos Aires" era, na cultura francesa, até há pouco, herdada da Belle Époque", sinónino de entrada de raparigas em casas de tolerância!
Mais três razões a acrescer ás muitas que nos dá para visitar o País.
Abraço

Luísa disse...

Gosto das suas crónicas de viagens (e destes «roteiros» gastronómicos), Mike. São, para quem tenha, por exemplo, o pavor dos aviões, uma forma muito agradável e cómoda de viajar também, com a imaginação. :-)

mike disse...

Não, não conheço, Meu Caro. E acredite que a essas três, muitas mais há a juntar, para não deixar de visitar a Argentina e em especial Buenos Aires.
Um abraço.

mike disse...

Ora, Luísa, simpatia sua, obrigado. :)
E olhe que o pavor dos aviões cura-se. O primeiro passo, antes de tomar aqueles comprimidos que dão sono (segundo dizem, que nunca precisei de tomar), é pensar e concentrar-se no destino maravilhoso que a espera. Começar a sonhar antes de lá chegar. Humm.. não sei se fui convincente... mas tentei e acredito mesmo nisto que acabei de lhe dizer. :)

Arquivo do blog