Desconversa

A desconversar é que a gente se entende

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

O início da presidentA, o meu final # 1

... e o mirtilo, coitado, infeliz e sozinho, estava branco como a bola de neve que o esmagava. É que o mirtilo deixava-se encantar ouvindo as histórias fantasiosas que o avô da presidentA do nosso blogobairro lhe contava e, fascinado, um dia pôs-se a caçar pirilampos incandescentes, na esperança de o aquecerem e não acabar congelado como os outros mirtilos. Só que apanhou um susto de morte quando se deparou com um gambuzino que era o terror do reino das princesas do gelo, com fama (e proveito) de Don Juan, entre as exímias amazonas. E ficou assim, descolorado, branco como a bola de neve que o esmagava, quando o gambuzino lhe perguntou com um vozeirão que o deixou petrificado: olha lá ó mirtilo, o que andas tu a fazer por estas bandas? não sabes que este reino é meu? estou-te a ver... se tivesses asas estavas a pensar em arrastar uma delas a uma amazona... já olhaste para ti? cresce e congela, ó frutinho desengonçado e sem graça.

Bom fim-de-semana.


Foto: Outros Olhares

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

O que é nacional é bom. (XXI)


Portugal é um dos países com mais horas de sol da Europa. E o sol quando nasce não é para todos. Por isso, apesar de andar sumido, o nosso é nacional e é, indiscutivelmente, bom.
Foto: João Silva

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Precisamos ter uma conversa.

As mulheres não são complicadas. Nós homens é que somos primários e desmazelados. Elas têm uma inteligência emocional superior e uma intuição aguçadíssima. E testam os homens com uma mestria cirúrgica fazendo-se valer de uma arte de manipulação fascinante. Precisamos ter uma conversa é uma frase que nós, homens, quando ouvimos, dá-nos a sensação de ter sido proferida pelo Diabo. Sim, que um Anjo nunca nos arremessaria com tal frase. E tem razão quem diz que, neste tipo de conversas, apenas Elas saem vencedoras. Quando a avassaladora frase é pronunciada, nós homens fazemos uso de todos os subterfúgios e desculpas, a maior parte delas tão esfarrapadas quanto a vestimenta do mais mendigo dos mendigos. Nesse momento colocamos o som da televisão mais alto, esquecendo-nos que o comando não é nosso e só está nas nossas mãos por uma momentânea benevolência. Vamos para a casa de banho, achando que Elas se esquecem do assunto, ou fingimo-nos cansados, esperando uma tolerância inexistente, ou uma misericórdia que nunca aparece. Os brasileiros têm uma palavra que tem tanto de carinhosa como irónica para o precisamos ter uma conversa. Chamam-lhe papo-cabeça. Só há, no meio disto tudo, uma coisa que nunca entendi. Conhecendo Elas as nossas fraquezas, sabendo Elas como nos manipular e tendo uma inteligência emocional e uma intuição superiores, e sendo Elas mais a encarnação do Diabo que dos Anjos, porque razão nunca tentam proferir essa maldita frase, dando início ao papo-cabeça, sentadas ao colo dos homens de lingerie, entre afagos e sorrrisos. Era vê-los conversar, até do que não desejariam. Um dia ainda alguém me há-de fazer entender, estou certo. E há-de ser começando por proferir a frase precisamos ter uma conversa.

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Porque hoje é segunda-feira, os meus filmes.

Quase levou Coppola à ruína, pondo em causa, inclusivamente, o conforto de toda a sua familia. Prova melhor não haverá sobre as suas convicções e paixão pelo cinema. Um elenco de luxo, com alguns grandes actores em início de carreira, como Harrison Ford, Martin Sheen, Frederic Forrest e Laurence Fishburne. Vi Apocalypse Now várias vezes e continuo a vibrar sempre que o revejo. Baseado na obra Heart of Darkness de Joseph Conrad, Francis Ford Coppola realizou um filme galardoado com todos os prémios de que a indústria do cinema dispõe, nos EUA, França, Japão, Reino Unido e Itália. Um filme intenso e épico, onde a crueza da guerra e a essência do ser humano se misturam sob a mestria de uma realização magistral e de uma banda sonora inesquecível. Um filme que já faz parte da história do cinema.

sábado, 21 de Novembro de 2009

Diz a minha mãe.

Quando passo alguns dias com a minha mãe, é inevitável que filosofemos sobre a vida e também, com muita naturalidade, sobre a morte, a única certeza com que a vida nos brinda. Fazêmo-lo, como disse, com a naturalidade com que os africanos o fazem. Diz a minha mãe que deseja ser transformada em cinzas e que elas sejam lançadas ao mar, para que ele leve o seu corpo até à sua África. Para ela, a sepultura da sua alma é o coração dos seus filhos e dos seus netos. Diz a minha mãe, com um sorriso sereno.

Estou rendido...

... a esta cantora nascida na Nigéria, onde passou a infância, antes de se mudar para a Alemanha. Acreditem ou não, foi-me apresentada pela minha mais nova, que tem onze anos, apesar de ter confessado que fora a irmã mais velha a responsável por gostar da Nneka Egbuna. Depois, quando resolvi acompanhar este Heartbeat com o meu jambé, foi a vez dela se render. Em dias de chuva como o de hoje creio que os vizinhos enlouquecem. Ou talvez não, talvez se rendam, também, ao som contagiante da Nneka.

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