11.11.09

Business as usual, mas...

... mas estava em Amsterdão e tinha uma manhã livre, numa cidade de que gosto e onde me sinto bem, por isso decidi apontar a agulha da bússola ao Museu Van Gogh sem me preocupar com a reunião, habitualmente dura, que me esperava a seguir ao almoço. Acreditem ou não, a maioria das pessoas que encontrei no museu eram jovens. Bem sei que se tratava do Museu Van Gogh e não do da Marinha, mas mesmo assim o facto não me passou despercebido e não consegui evitar uma fugaz comparação sobre o que se passa em Portugal. E eu não sou fã de museus, mas isso agora não interessa. A segunda surpresa, e esta divertiu-me mais, foi ter descoberto que o Vincent nasceu a 30 de Março, exactamente 107 anos antes da minha mãe me ter dado à luz. Van Gogh, um dos meus pintores favoritos, sempre me intrigou na sua abordagem. Um homem cheio de fantasmas, avesso à cidade e que amava o campo. Um homem que manifestava na tela o seu lado mais naif quando a natureza era retratada, mas quando se tratava do ser humano era incapaz de pintar um sorriso. Um homem atormentado que o talento e a mestria do pintor não traíram, tão sofridos e marcados são os rostos que a sua obra nos oferece. Descobri, também, que o Vincent, como é carinhosamente tratado no país das tulipas, escrevia bem, com uma caligrafia exemplar e que, nas suas inúmeras cartas dirigidas a amigos e ao irmão Theo, raramente deixava que transparecessem os seus tormentos. Afinal, tal como na vida e no business, fui ao Museu Van Gogh para me deliciar com a obra do pintor e descobri o homem e parte da sua vida. Como eu gosto.

8 comentários:

fugidia disse...

Uma excelente escolha para passar a manhã ;-)
(eu adorei o museu dele quando lá estive e Van Gogh e Gustav Klimt são os meus pintores favoritos, muito por causa das cores)
:-)

Mike disse...

Fugidia,

Van Gogh é um dos meus preferidos, mas nessa manhã dei por mim menos interessado no pintor. Apeteceu-me não estar no museu e ter uma máquina do tempo. ;)

Luísa disse...

Rever a obra e descobrir o homem? Mas é assim que tem graça, Mike. Folgo em constatar que, saudavelmente «voyeurs», já somos dois. ;-)))))

bacouca disse...

Mike,
A nós o que nos falta é o contacto com a cultura desde a música, literatura, pintura, etc, etc e é por isso que não vimos jovens nos locais onde ela acontece.
Quanto à sua visita ao Museu Van Gogh e apesar de afirmar que o aprecia muito, fiquei com a "pulga atrás da orelha" porque me parece que viu com outros olhos, outro sentimento...
E isso, Mike, é para mim a essência da arte: sentimo-la de uma maneira ou de outra conforme o momento.
Aproveite!
Xi

Mike disse...

ah ah ah ah... Luísa, a senhora não perde a oportunidade de dar uma alfinetada... (muitos risos)
Pronto, está bem, já somos, saudavelmente, dois. ;D

Mike disse...

Sabe, Bacouca, deve ser o meu lado nada contemplativo. ;)
É esta mania, como diz a Luísa, de tentar ver sempre a pessoa para além do artista e da obra. :)

ana v. disse...

Hummm, logo vi que não era só business... museu, hein? Já lhe ouvi chamar muita coisa, mas "museu" é a primeira vez... lol

Mike disse...

Diabinha!... é o que tu és, menina Ana. (risos)

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