22.9.09

Até a competência pode ser uma faca de dois gumes?

Se há pessoas que podem (infelizmente) falar de divórcios, eu sou uma delas. E no plural para não fazer a coisa por menos. Se perguntarmos a alguém sobre o que é o mais importante quando tal acontece e existem filhos, principalmente quando são menores e de tenra idade, a resposta, pelo menos na teoria porque a prática já pia fininho, dizia eu, a resposta é, na maioria dos casos, uma e a mesma: os filhos. Então se os filhos são o mais importante há que passar pelo divórcio com civismo, muito bom senso, ponderação e racionalidade. O meu segundo divórcio é considerado, pelas pessoas que comigo privam de perto e na intimidade, como exemplar. De uma racionalidade extrema, sem nunca ter havido um levantar de voz, quanto mais uma discussão acesa, e nunca em frente das crianças. Cheguei até, imagine-se a sentir um certo orgulho só agora e aqui confessado, pela forma como tudo decorreu e se processou. Até as conversas com os filhos são devidamente preparadas ao detalhe e os pais apresentam-se, perante eles, cordiais e civilizados. Continuo a achar que é assim que deve ser, apesar de... apesar de? Sim, que há dias, coloquei-me na pele da minha mais nova, uma menina de 11 anos a quem foi comunicada a separação dos pais quando tinha 8, e interrogo-me o que ela pensará sobre as verdadeiras razões que terão levado os pais a separarem-se, para além das que lhe foram ditas. Uma menina que nunca assistiu a uma discussão e, aos olhos dela, os pais continuam a dar-se bem. Tal como nos casamentos, também não há divórcios perfeitos, não é? Mesmo quando, aparentemente e aos olhos dos outros, são considerados como tal.

20 comentários:

GJ disse...

Credo Mike, até apanhei um susto. Pensei que a competência metia faca e alguidar...(risos)

Quanto ao tema, devo confessar que pensei no reverso quando postei sobre o casamento do meu filho. Este é um tema sobre o qual, nem a sua experiência tem respostas perfeitas. Não existem divórcios competentes ou perfeitos, porque significam afastamentos. Quando há filhos mesmo que o entendimento dos adultos seja cordial e pacifico, nunca é entendido por quem é obrigado a dividir e a partilhar o que, em principio, devia estar unido.
Essa experiência pessoal também a tive enquanto filha, mas fica para outro dia.

Dulce Braga disse...

Para os filhos a perfeição é uma só: pais juntos e felizes.

fugidia disse...

Nessa idade, nesse contexto, é ainda mais difícil explicar-lhe o porquê.
E como diz a GJ, não divórcios perfeitos e/ou competentes.

Ana Mestre disse...

Realmente não divórcios perfeitos, ficam sempre magoas e coisas por dizer...enfim, o melhor mesmo era não haver divórcios...mas assim ficava tudo demasiado perfeito não era??

¤¤¤¤ disse...

Acredite que é perfeito só pelo facto dela nunca ter assistido a desavenças, discussões e violências no lar.

São marcas tão duras de esquecer... (se é que alguma vez nos repomos).

Patti disse...

O exemplo do seu segundo divórcio, é infelizmente, uma excepção.
Assim como não há casamentos perfeitos, também não os há na forma de divórcio.
Um divórcio, vá-se lá saber porquê (os motivos são tantos), extrapolam o que de pior há no ser humano e lamentavelmente as maiores vítimas são sempre os filhos.
Dos casos que conheço, mesmo por parte de pessoas absolutamente racionais e bem formadas, a 'coisa' acaba sempre por descambar.

Ana Mestre disse...

Ainda bem que sou solteira..:)))

bacouca disse...

Mike,
Claro que pode ter dois gumes pois nada é perfeito! Agora julgo que se for assumido com seriedade, tranquilidade e de comum acordo tudo se torna mais fácil deixando menos marcas principalmente nas crianças.
Um beijinho

Luísa disse...

Introduzindo uma nota de reflexão teórica, Mike, arriscaria dizer que o problema da «competência» em relação aos filhos coloca-se, sobretudo, na condução do casamento e não do divórcio. Se os filhos não são poupados à visão do calvário que é um casamento infeliz, o divórcio, bem ou mal conduzido, acaba sempre por ser um alívio ou uma libertação. Se são poupados, o divórcio, bem ou mal conduzido, é sempre uma desagradabilíssima surpresa. Ainda assim, a «competência» na condução de um divórcio deve poder travar a violência de certas pancadas, imagino eu. :-)

Mike disse...

GJ,

Paradoxalmente (ou talvez não) continuo a achar que o casamento deve ser para a vida. A minha mãe diz que eu sou um bom rapaz, só que tive azar. (risos)
Acha que é por ser mãe? (sorriso angelical) ;)
Já a minha cunhada, diz que quem teve azar foram as ex-mulheres. Já viu a malvada? (amuo) ;)

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Dulce,

Touché! Nada a acrescentar ao seu comentário. :)

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Fugidia,

Há divórcios competentes, mas não os há perfeitos, não é?

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Ana,

Tem razão. O melhor era mesmo não haver divócios. Case-se lá para dar início a um novo ciclo, um ciclo perfeito. :D

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####,
(sem nome ou nick é estranho)

Jamais hesitaria entre um divórcio imperfeito e um divórcio como o que refere.

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Patti,

Considera, portanto, que apesar dos apesares, o meu segundo divórcio roça o exemplar, é isso? ;)

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Bacouca,

Pois é, também penso assim. Mas ao "calçar os sapatos" da minha mais nova, fiquei a pensar no que ela sentiria e pensaria. :)

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Luísa,

Concordo consigo quando emprega a palavra "sobretudo". Contudo a competência, como muito bem diz, é requerida em todas as circunstâncias. :)

Ana Mestre disse...

Mike...vou pensar seriamente na questão do casamento...ou divorcio lol :))

GJ disse...

Ser um bom rapaz, depois dum divórcio, é o pior elogio que uma mãe pode fazer:)
Pior ainda, se o bom rapaz tiver olhos que giram e pernas que voam...
Põe-se a questão de saber se um bom pai tem de ser um bom marido. Normalmente, as variáveis são complementares, mas um marido duvidoso não tem de ser um pai para descartar. Tem é de fazer um esforço adicional para não apresentar suspeitas ou dúvidas. Se fica com os filhos a tarefa é mais fácil porque não perde a intimidade e é um pai presente nos dias da dor de cabeça, da ida ao médico, das visitas dos amigos, dos dias não e dos dias sim e sabe sempre onde está a saia verde que foi comprada na loja tal e qual é o cereal ou o iogurte que a menina come ao pequeno almoço.
Quando crescemos são estas coisas que contam e o pai do coração é aquele que vive connosco, mesmo que não seja o biológico.

Mike disse...

lol
Ana, pense no casamento... deixe lá o divórcio para os outros. (muitos risos)

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GJ,

Ó colega este assunto dava pano para mangas. (risos)
Nem sei por onde começar a comentar, quanto mais acabar. (mais risos)
Vamos lá por partes. Tentarei ser conciso, partindo do princípio que concordo com tudo o que diz.
Sou bom rapaz mas não tive sorte, nem azar. Tive o que tinha que ter.
Sou um pai presente a ponto de viver todas essas mazelas (e alegrias) de que fala e outras. Um bom marido não faz um bom pai e vice-versa. Por último, gostei do seu comentário, GJ. :)

Kika disse...

Caso para dizer pior a emenda que o soneto?
Acho que não, de todo! Faz todo sentido o civismo. Sobretudo numa situação extrema de divorcio. Parabéns se esse clima foi/é conseguido. Todos ganham!

Mike disse...

Seja bem vinda, Kika.
E obrigado pelo seu comentário. :)

Leonor disse...

Se quer a minha opinião, Mike, sem filhos e sem divórcios, com muito pouco conhecimento 'desse' terreno excepto por interposta pessoa, acho que é sempre melhor para todos que haja civilidade e, muito importante, respeito. Compreendo que seja complicado para as crianças compreenderem a razão, uma vez que não há conflitos explícitos, mas esta é também uma lição, a de que as pessoas podem divergir nos seus caminhos sem se agredirem.

Mike disse...

A sua opinião é sempre bem vinda, Leonor. :)
Não sou fundamentalista nestas coisas, mesmo considerando que lhe falta a prática. (risos)
Não é imprescindível ser-se mãe (ou pai) ou divorciado para se ter uma noção do que é ser bom pai (ou boa mãe) e da problemática dos divórcios com filhos (e sem eles).
E concordo consigo. :)

ana v. disse...

Temos uma história parecida, Mike: também posso falar do assunto com conhecimento de causa, e no plural... também tive um divórcio "perfeito" por causa dos filhos, e não me arrependo nada de tudo o que não fiz e não disse (por muito que me apetecesse) para os poupar. Felizmente, no segundo divórcio já não havia filhos a proteger e dei-me ao luxo de ser um bocadinho menos "competente"... não imaginas o alívio! ;-)

Mike disse...

Eu ia escrever "sortuda", "felizarda", mas isso não se aplica quando se trata de divórcios. Contudo creio que me entenderias. :)

ana v. disse...

Acho que sim... mas quem te manda ser um povoador da nação? lol

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