18.6.09

A minha aldeia? Nem adoptada.

Não escondo, (e porque haveria de o fazer?) que tenho preferências de leitura na blogosfera e admito que essas preferências se sedimentam com textos escritos com mestria, mesmo que homenageando e glorificando, de certa forma, algo que me é distante, como as aldeias. Devo, contudo, confessar, que foi a firmeza e frontalidade de um gira o disco e toca o mesmo que me fez sentar à frente do computador e voltar a escrever, desafiando o tempo que não tenho e, sobretudo, a disponibilidade mental para o fazer. E escrever sobre quê? Sobre as tais aldeias que me são distantes. Nunca tive uma aldeia, ou nunca senti que tivesse. E há trinta e quatro anos que desconheço o sentimento de ir à terra. Ou será que sempre desconheci? Não critico quem a tem e quem à terra vai. Mas também não invejo. Não gosto de aldeias, sejam elas pequenas e pitorescas, tenham dez habitantes ou um milhão. Não gosto da palavra, do que ela significa para mim ou como, de uma forma muito pessoal, é por mim percepcionada. Digo aldeia, como poderei dizer vila. Locais onde, supostamente, as relações se desenvolvem de uma maneira mais genuína e onde as coisas são mais ricas porque o tempo parou e a civilização também. Onde a nostalgia prevalece e se vivem raízes. Não gosto de aldeias. Desses locais pequenos que, pelo que me posso aperceber, nos acolhem e nos afagam, inundando-nos em memórias. Aldeia traz até mim um conceito de isolamento, uma coisa mignone e fôfinha que me tira a respiração. Aldeia é claustrofobia. Porventura porque nunca tive uma. Ninguém sente a falta do que não teve e entre mim e a aldeia é exactamente isso que se passa. Nunca tive e, confesso, não quero ter, nem mesmo adoptada.

40 comentários:

fugidia disse...

E eu, que também não tenho aldeia?!

E, no entanto... gosto muito da Mina... e do Areeiro...
;-)

fugidia disse...

(e, já agora, nem sei bem porquê, veio-me ao pensamento a Nazaré, o tempo em que lá vivi e os pés das nazarenas a sairem dos lados das chinelas... e as miniaturas de cães que andam atrás delas, empertigados... os *....* com que se mimoseiam amiúde, até ao dia em que decidem ir apresentar queixas de injúrias e difamações e... fico-me por aqui - risos abafados)


(o que eu gosto mesmo é da Mina e do Areeiro :-D)

Mike disse...

Pronto, quer dizer que a menina já adoptou não uma, mas duas aldeias. (risos)
Fugidia, eu gosto de as visitar, mas nunca as senti como minhas e, confesso, também não queria. (mais risos)

Mike disse...

Safa, estava a ver que desejava concorrer com a Madonna e queria adoptar a Nazaré. ;)

fugidia disse...

lol

A concorrer com a Madonna só se fosse para adoptar alguém tipo... o Gianechinni :-)))

(o Mister ainda não conhece: o Areeiro é uma Quinta no Douro :-) )

E eu não as sinto como "minha", mas sinto-me muito bem na Mina (de São Domingos): não é só porque a minha história também vem de lá, mas porque gosto muito, muito do Alentejo, daquele Alentejo :-)

fugidia disse...

E do Pulo do Lobo... (sorriso cândido)

Mike disse...

Se falamos do Alentejo estamos de acordo, Fugidia. Também gosto e muito. Se calhar porque não é uma aldeia. (risada)

JúliaML disse...

Menino!!

Mister!!!
Mike!!!!

Fugi,Fugi!!

Ferando Pessoa jamais teve aldeia alguma, a sua aldeia era Lisboa, com o seu rio e o sino da aldeia ele era o do Chiado. Mas que falta de imaginação a vossa!!

Mike disse...

Ó Júlia, não é falta de imaginação. É um problema meu, mesmo. Não gosto de aldeias, o que quer a menina que eu faça? Catrino!, sempre a implicar comigo. (risos)

fugidia disse...

Júlia!
Catrino!
(risos abafados)


Ué, e o Areeiro não conta?! E a Mina?! :-)))

fugidia disse...

Ah!, quando quiser namorar, experimente a Estalagem da Mina ;-)


(shiu... era a antiga casa do meu trisavó, onde o meu bisavó catrapiscou a minha bisavó, a minha avó dançou com o meu avô, onde o meu pai fez tropelias em menino e onde eu... hã... hum... pois! :-) )

ana v. disse...

Vou comentar à margem... sempre és um diabinho, acabas de prová-lo. Não gosto de aldeias? LOL :-)

Mike disse...

Ah, Ana, não sejas sonsa... vais dizer-me que gostas de aldeias? Tu, cosmopolita? Diabinha és tu! (risos)

JúliaML disse...

o Mister quer é "cumbersa"!!!

num gosta de aldeias!! isso dizia eu em adolescente...

Mike disse...

... "descumbersa" coisa nenhuma... vai dizer-me que gosta de aldeias, é Júlia? Eu "numacredito" acredito nisso, viu?...

Rita Vasconcellos disse...

se eu tivesse
uma aldeia
pintava-a de branco
deixava que a cal
entranhasse
nos muros da minha
memória

bjs

Luz disse...

Mike

Nunca tive uma aldeia.

LADY-BIRD, ANTITABÁGIKA, FÃ DO JOMI LOL E JÁ AGORA DOS NOSSOS AMIGOS ANTI-TECNOLOGIAS: MARCHANTE (se não existissem tinham que ser inventados) disse...

Eu não tenho aldeia, tenho uma cidade, e é mesmo Lisboa...foi aqui que nasci, é aqui que moro!
a minha Lisboa menina e moça! quem ma tira tira-me tudo!

beijinho

Patti disse...

Eu já conheci pessoas que não gostam de aldeias, porque foram criados nelas e sentindo esse tal aperto claustrofóbico, não ficaram satisfeitos enquanto não saíram de lá, para um meio maior e mais desenvolvido.
Agora, alguém não gostar de aldeias e nunca ter tido a experiência de viver numa e compartilhar das mesmas sensações de clausura é que eu nunca tinha ouvido.

Oh Mike, acredita na reencarnação?
(juro que não me ri..só gargalhei durante 20 minutos)


p.s. bom...vou massajar com o voltarene...

Ana Campos disse...

MIke
Eu não tenho uma aldeia.
Eu tenho um mundo.
;)

GJ disse...

Ó Mike, como não tem uma aldeia eu já lhe arranjei uma. E nada de desconversar sobre a falta de ondas. A imagem é para substituir a piscina aquecida e de água doce...(risos)
E eu bem lhe disse que a sua fraqueza eram as mulheres.:)))

GJ disse...

Esqueci-me de dizer que neste caso não são duas quaisquer. É gente de peso e convicções.
A Luísa concorda comigo, claro!;-)

Mike disse...

(risos)
Rita, sabe o que pensei quando li o seu comentário? Em lançar um desafio ao Walter-Ego. Sabe qual? Ó Walter posta lá essa tal aldeia com esses magníficos desenhos que só tu sabes fazer. Acha que lhe pode dar o recado? (mais risos)

Mike disse...

Join the team, Luz. ;)

Pronto, Lady Bird... pelo seu comentário já percebi que Lisboa é a sua aldeia... (risada)

Mike disse...

A menina Patti está muito espirituosa. ;)
Não, não acredito em reencarnação. E vá lá massajar com o Voltarene. :P

Mike disse...

Ana, um mundo agrada-me muito mais. :)

Mike disse...

GJ, não sei porquê mas soa-me a conspiração. (riso nervoso)
A minha fraqueza e a de qualquer homem que se preze. (gargalhada)

Luísa disse...

Pois, pois, menino Mike, ter uma aldeia não significa ter horizontes estreitos. Ter uma aldeia (que pode ter dez, cem, mil quilómetros quadrados de extensão) significa apenas ter um ponto de partida e de chegada, tal como ter uma casa, uma família, uma vizinhança, um blogobairro. Acho é que, como nós desconversamos com temáticas de «competência», o Mike contra-ataca desconversando com temáticas de «aldeia». Sendo assim, estamos quites! ;-D

Mike disse...

Pois, pois, menina Luísa... mas tem mesmo que se chamar aldeia? É que eu não gosto desse nome... só me vêm à cabeça imagens de lugares pequenos, sem gente jovem, com habitantes tristonhos e conformados... percebe-me? ;)

Luísa disse...

Ah!
......(silêncio circunspecto)......

P.S.: Fico contente por o ter de volta ao Desconversa. Mas de volta para ficar!!! ;-D

Patti disse...

Muito místico o Mike, muito místico com estas conversas labirínticas sobre aldeias...

Mike disse...

Luísa, :D

Patti, nada místico... agora deixe-me palitar um dente que tenho aqui um pedaço de azeitona e corato... sabe daqueles da aldeia.... (gargalhada)

Patti disse...

Courato?? Só vale se for bem gorduroso, alto e com pêlos! Dos verdadeiros, daqueles de antigamente das roulotes da feira e da bola!

Mike disse...

Antigamente? Já vi que não tem ido à bola recentemente... (risos)

Patti disse...

Ir à bola é um termo que me encanta...

Mas não tinham sido proibidos?

Mike disse...

Também os jaquinzinhos, Patti. :)

Patti disse...

Ai que bom...com arroz de tomate!

Mike disse...

Eu adoro jaquinzinhos, Patti. E com arroz de tomate, então... :D
Os mais distraídos até são levados a crer que o prato não foi usado. ;)

Leonor disse...

Eu vivo na aldeia mas na verdade não me sinto da aldeia, porque no fundo não me sinto de lado nenhum. Gosto muito de estar aqui, estou perto da cidade, a uns 5 km do mar que consigo ver da minha casa e passo uns fins de dia fantásticos, descontraída a deambular pelo jardim ou apenas a partilhar o momento. Acredito que se fizesse vida na aldeia talvez fosse diferente, mas continuo a achar que está tudo na nossa atitude. Quando me sinto claustrofóbica, pego em mim e vou até à cidade.

Mike disse...

Está cara, Leonor, que pelo seu comentário se deve concluir que não tem aldeia. ;D

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