8.2.09

Desapointing road.

As expectativas eram grandes e é fácil perceber-se porquê. O dia amanhecera ensolarado e a temperatura do ar era amena. Adivinhava-se um autódromo só para mim, com uma pista inteiramente livre para que pudesse deliciar-me, em segurança, ao volante de um carro de competição, potente e veloz. Previam-se cerca de duas horas perfeitas. O briefing técnico, quer sobre o traçado da pista, quer acerca de como tripular o bólido, fora claro, paciente e de um rigor supremo. Pensei, enquanto apertava o capacete e antes de entrar no cockpit, que a pista, apesar de ser selectiva em alguns sectores, jamais se aproximava do traçado de circuitos como Spa Francorchamps, Silverstone, Interlagos ou Mónaco. As expectativas eram enormes. Estava ali tudo sob os meus olhos. Muita potência, um generoso binário, a mais recente tecnologia, sistemas de segurança avançados, travões sobredotados, etc. Tudo reunido para que os 120 minutos seguintes fossem perfeitos. Duas horas depois não consegui evitar o desapontamento e a decepção que me acompanharam no regresso a casa. Sentia-me como tendo estado a pilotar um carro concebido e preparado para ultrapassar com à-vontade e segurança os 300 km/h, mas limitado aos 180 km/h. Como se tivesse acabado de ver o Revolutionary Road de Sam Mendes. A história é intensa, envolvente e dramática, a adaptação para cinema é sólida, o talento é descarregado sobre nós em catadupa, pelas interpretações dos actores principais e secundários, mesmo com papéis menores. Está lá tudo para que pudesse desfrutar do máximo, para que saísse da sala a venerar o filme, mas esqueci-me de quem o dirige. Sam Mendes é um bom realizador, com provas dadas em American Beauty e Road To Perdition. E bons realizadores, por vezes, não conseguem mais do que bons filmes, apesar de terem tudo ao seu dispor e alcance para nos entregarem excelentes filmes.

7 comentários:

fugidia disse...

:-)
A história é muito boa, mesmo. Os actores foram num crescendo, cada vez mais fortes, seguros.
E concordo: a realização foi contida.
Será que o foi porque a actriz é mulher do realizador e houve necessidade de todos se conterem? Se assim foi, é pena, que o argumento é baseado num livro excelente e merecia muito mais.

Mas o que eu gostei mesmo, Mister, foi da analogia que tão bem descreveu a sensação que teve com este filme.
:-)

ana v. disse...

Bela abordagem, Mike! Também já ouvi essa mesma crítica ao filme: que fica aquém das expectativas, mas tenciono vê-lo de qualquer maneira. Para mim, dificilmente Sam Mendes fará um filme melhor do que Beleza Americana. Mas gosto muito dos dois actores e a história promete. Vou ver, apesar dos pesares.

Recomendo-lhe "Quem quer ser Milionário", um filme inesperado e extraordinário que vi ontem. Merce cada um dos 4 Globos de Ouro que ganhou, e cada nomeação para os Óscares que tem.

mike disse...

Foi assim que senti, Fugidia. Havia tudo para um crescendo vertiginoso, quer da história, de uma ironia como só a vida pode conter, quer do filme como um todo. E no fim fica aquela sensação de um carro de competição com limitador de velocidade. :)

Ana, gostei muito de American Beauty, mas gostei ainda mais de Road To Perdition. E claro que este continua a ser recomendável e um belíssimo filme, só que...
Seguirei a tua recomendação e irei ver "Quem quer ser Milionário". :)

LADY-BIRD, ANTITABÁGIKA, FÃ DO JOMI LOL E JÁ AGORA DO NOSSO AMIGO ANTI-TECNOLOGIAS: MARCHANTE (se não existisse tinham que o inventar) disse...

MIKE, perdemos outra vez!!!!
Raios, que aquele Paulo Bento já me começa a enervar!!!!

Beijinho e saudações leoninas!

mike disse...

Pronto, não vale a pena evervar-se, menina. Eu fiquei com azia mas já me passou. ;)
Cá em casa somos todos do Sporting e amuámos... mas por 2 minutos. (risos)

Luísa disse...

Há aí uma série de bons filmes que vale a pena ver, Mike, se mais não for para depois os discutir. Este de que fala está na minha lista, e ainda bem que amacia as expectativas, porque assim já não me decepciono e sei que, pelo menos, não vou desgostar. Pela minha parte, recomendo o Vicky Cristina Barcelona. É um clássico Woody, com muito sexo (combinando moderação visual com ousadia «conceptual»), muita cor e umas guitarradas muito salerosas. ;-D

Mike disse...

Luísa, também quero ver o Vicky Cristina Barcelona. Mais por curiosidade do que na expectativa de ver um filme a meu gosto. E a curiosidade aumentou com o seu comentário. :)

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