29.7.10

A propósito de apreciações enigmáticas...

... venho aqui falar de uma actividade que me está próxima, tal como a caça, mas à qual não me tenho dedicado, já faz tempo. E como pescas há muitas, fiquemo-nos pela pesca à linha. Essa mesmo, com linha e anzol e que ainda é uma das principais formas de capturar peixe. Lembro-me de acompanhar o meu pai e o meu avô à pesca, desde menino de tenra idade. E é impossível esquecer-me dos tempos em que pescava nos esporões que entravam pelo mar revolto, ou no velho pontão de tábuas gastas e carcomidas que, timidamente, avançava pelas águas calmas da baía. E também sei porque a caça foi ocupando o lugar da pesca, na minha vida. A pesca é, pelo menos para mim, e arrisco-me a dizer para a maior parte dos pescadores que conheço, um acto de solidão. Momentos de silêncio e que nos trazem paz, momentos de poesia serena. Que nos convidam à introspecção, ao pensamento livre, apenas com as rédeas que quisermos ou formos capazes de lhe impor. Momentos de quietude, de contemplação e de cumplicidade com o peixe que jamais chamamos presa. Sim, na pesca submarina é diferente, mas também por isso lhe chamamos caça submarina. Na pesca que conheço, mesmo quando não estamos sós, o silêncio impera a maior parte das vezes. E quando esse silêncio é quebrado, é expectável que o seja com um tom de voz baixo e pausado. Apenas ao som do mar é permitido quebrar esse silêncio, sem que se quebrem os momentos de paz, introspecção e contemplação. Lembrei-me da pesca, a propósito de apreciações enigmáticas que se arriscam, porém, a verificarem-se equivocadas.

9 comentários:

Catarina disse...

Também acho a pesca um momento de introspecção, de silêncio, de paixão, até. Nunca tentei pescar, mas admiro muito os pescadores à linha e a sua incomparável paciência. Bom post, Mike!

GJ disse...

Por isso, o mulherio não gosta de pesca...silêncios e contemplação,diz? Nem uma palavrinha e distração pelo meio?)))

bacouca disse...

Mike,
Se me lembro desses esporões onde o Vabenne pescava umas belas garoupinhas! A baía era só para o sky.
Na verdade acho que a pesca à linha transmite muita paz. Eu nunca pesquei mas consigo sentir isso ao lado de um pescador.
O Pai também pescava mas era mais em alto mar. A caça (às perdizes) é muito bonito e excitante o trabalho dos cães.
Caça submarina nunca fiz mas adorava mergulho sim: o silêncio, a paz, a sensação de liberdade é indescrítivel!
Que sorte que tivemos patrício!!!
Xi

Mike disse...

A caça tem, definitivamente, mais a ver comigo. Obrigado, Catarina. :-)

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GJ,

O mulherio até alinhava na pesca se houvesse montras, amigas e conversa... (risos)

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Bacouca,

Patrícia, tivemos uma sorte do caraças! E ainda hoje constatei isso no almoço que tive com um amigo de infância que a patrícia conhece bem. Mas isso acho que vai dar um post. ;-)
Um xi. :-)

Luísa disse...

Mike, amanhã cá virei decifrar uns quantos enigmas... :-)))

fugidia disse...

Prefiro andar a pé... ;-p

Mike disse...

Faça isso, Luísa. Ajude-nos a decifrar uns quantos enigmas. ;-D

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Humm, Fugidia... andar a pé,andar a pé, andar a pé... safa que esta moça não pára, é incansável... (gargalhada abafada)

Luísa disse...

Mike, acho que ainda estou na fase de precisar de equilibrar a solidão interior e introspectiva com a acção. Acho, como a Fugi, que prefiro andar a pé. Por outro lado, tenho horror a anzóis e minhocas… e seria incapaz de fazer mal a um peixe, mesmo admitindo que não é das espécies mais empáticas… ;-)))
Mas o enigma, pelo menos, julgo que está decifrado. :-)

Mike disse...

Perfeitamente decifrado, Luísa.
Confesso-lhe que a minha intuição me dizia que o meu feeling (isto não soa bem, eu sei) não estava 100% certo. Mas a pesca a dois assemelha-se, em parte, a enrolar meias. ;-D
(E manobrar azóis e tratar das minhocas pode ser o trabalho de apenas um deles). :-)