16.10.09

Contemplação.

Não sou contemplativo. Sei-o há muito. Os museus, por exemplo, foram um aliado precioso na compreensão desta minha faceta. Não me chega observar o belo, preciso de o sentir, preciso que se entranhe, que se apodere de mim. Acho que para ver o belo, preciso de o viver. Contemplar não me preenche. É como um prato bem confeccionado que nunca chegarei a saborear. Não me chega admirar o quadro ou a escultura. Posso apreciá-los, mas sinto que a plenitude do belo só chegaria se visse o artista a concebê-los e a executá-los. Se sentisse o calor da mansarda e vivesse o desespero do criador em cada pincelada ou contorno do barro. Não sou contemplativo. Não é a imagem do sol a tingir de vermelho o céu, ao pôr-se, que me faz vibrar. Não é o azul do mar que faz tomar-me de amores por ele. São a aragem soprada do dia a despedir-se e o calor que resta a afagar-me a pele, o cheiro a marzia, a areia a entranhar-se entre os dedos dos pés e as ondas a baterem-me no corpo, que me fazem viver esses momentos. Contemplar, para mim, é igual a pouco.

13 comentários:

fugidia disse...

E, no entanto, contemplar é também "meditar"; e o que é este post senão uma meditação? e tantos outros ali por baixo?
É sim, é contemplativo, Mister; não lhe chega é só contemplar: quer sentir. :-)

(e ainda bem que o quer - risos abafados) ;-)

Patti disse...

Pois eu sou ao contrário Mike, no contemplar é que encontro a minha imaginação.

Ana Mestre disse...

A vida é uma constante contemplação
:)

Passem no meu cantinho para contemplarem a minha obra...:)))

bacouca disse...

Mike,
Você, pelo que me parece, gosta é de agarrar a vida. E agarrá-la no concreto: viver o momento. Em miúdo não desmanchava os carrinhos para ver como eles eram feitos?
Xi-coração

Luísa disse...

Concordo com as caríssimas comentadoras anteriores, Mike. A contemplação também envolve, geralmente, uma forma qualquer de contacto com o «sublime», que exalta e emociona. Mas entendo o que diz sobre os museus. Creio que a contemplação nos museus às vezes «falha», porque há demasiado para contemplar e nem sempre com a necessária «compreensão» do objecto.

Mike disse...

Fugidia,

A menina não se ponha a especular, por favor. (muitos risos)
Já está a querer dizer que eu não sou pessoa de meditar, é isso? se calhar há quem "medite" mais que eu... (gargalhada)

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Patti,

Eu cá acho que essa coisa de contemplar é coisa de menina, não acha? (riso abafado)

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Oh Ana, se a vida fosse isso eu seria um homem morto. (muitos risos).
Eu passaria pelo seu cantinho, mas é só para convidados e eu não sei o que fazer para me fazer convidado, ora. :O

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Bacouca,

Acho que é mais ou menos isso. Parado a contemplar sabe-me a pouco, entende?
Outro para si. :)

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Luísa,

Está sempre contra mim! (rosto fechado e cabisbaixo)
Mas pronto, desta vez deu uma na ferradura e outros nos cravos. (risada) :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Eu sou bastante contemplativo, mas só em relação à Natureza. No concernente à arte tenho a mesma sensação de insatisfação que o Mike.

JúliaML disse...

concordo com a Fugi, Mike!

gostei muito do texto, porque poético :-)

beijinho

Mike disse...

Oiça lá, menina Júlia... a menina desaparece, deixa-nos aqui sem a sua companhia, ficamos a pensar como estará v. excia, e quando chega é para se pôr a favor da Fugidia contra mim? aaaiiii!... catrino!
Gosto de a ver por aqui.
Outro. :)))

GJ disse...

É uma questão de idade, Mike.
Mas vai passar...no dia em que a contemplação for a arte mais movimentada do seu dia a dia...
Até lá, só mesmo o divã que a Lisa deixou na minha casa ;)

Mike disse...

ah ah ah...
GJ, nunca tinha pensado nisso. Deve ser por ainda ser muito novo. ;D

ana v. disse...

Ora, não és contemplativo? Então como é que reparaste em tudo isso que descreves, ainda por cima tão poeticamente?
Ai, ai, o medo de que te chamem sensível... lol

Mike disse...

Reparar, reparo. Mas sabe-me a pouco. :P

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