22.10.09

Assim na vida, como nos negócios.

Os momentos em que se joga, em parte, a vida das empresas, o seu sucesso e a possibilidade de um futuro a curto prazo mais desafogado e risonho, são sempre momentos de tensão, mesmo que tal não transpareça, para isso contribuindo a experiência, consciência do trabalho competentemente elaborado e um ou outro ice-break desanuviador. Vida das empresas leia-se, acima de tudo, vida de uma ou outra família, que é como deve ser encarado cada funcionário. Responsabilidade acrescida, portanto. Esses momentos desaconselham excesso de protagonismo, arrogância, ausência de ponderação e dificuldade em ouvir mais do que falar. Aparentemente, poucas pessoas haverão que possam discordar desta postura e, porventura, serão menos ainda as que acreditam poderem manifestar-se comportamentos contrários. Porque, como disse, a responsabilidade é elevada e está muito em jogo. Recentemente, num desses momentos, um jovem advogado que representava uma empresa concorrente sucumbiu ao excesso de protagonismo e foi atraiçoado pela arrogância, evidenciando a tal dificuldade em escutar e revelando uma verdadeira paixão pela sua voz. Ainda nada foi ganho, é verdade, mas já sei quem ficou a perder. E, estranhamente, restou em mim a sensação de pouco ter feito, para além do imenso trabalho já desenvolvido por toda uma equipa dedicada, no sentido do concorrente estar agora com o irremediável e desagradável sentimento comum aos que já perderam alguma coisa, mesmo sem que alguém tenha ganho algo. Limitei-me a pôr em prática, e de uma forma disciplinada, racional e com o mínimo de emotividade que a situação requeria, alguns dos ensinamentos em que a vida é pródiga. O flair-play também é um deles, por isso foi usado como quem põe uma cereja em cima de um bolo. Neste caso de chocolate, porque desejo saborear pelo menos uma das fatias dele. Como saber esperar, dizem, é uma virtude, mesmo uma pessoa onde ela nem sempre esteja presente, deverá saber fazê-lo. Resta-me, por isso, esperar. Neste caso, com um sorriso, porque a espera será tranquila, como a consciência.

16 comentários:

GJ disse...

Uma pessoa que tem como objectivo de vida a sua própria pessoa, com o tempo acaba sem amigos ou negócios, porque o seu objecto de cobiça é a sua própria ambição.

fugidia disse...

Sintetizando:
- o Mister foi (está a ser), portanto, mais uma vez competente;
- porque deseja saborear, pelo menos, uma fatia (de chocolate), se possível o bolo todo;
- e espera, sorrindo, o grande final...
(Meu Deus, porque será que eu estou a ler outra estória aqui?! - risos abafados)

Hoje faça o favor de ter um dia mais descansadito, sim?
:-)))

fugidia disse...

(é que a idade pesa, o Mister já é um «homem de uma certa idade» e o descanso é fundamental para... para a competência, pois...)
:-D

Patti disse...

Muito pessoal este post, Mike. Espero que termine da melhor forma, com bolo ou sem ele.

Ana Mestre disse...

Ser arrogante não é bom....(risosssssss)

Mike disse...

GJ,

A idade sem dislexia, às vezes, não é um undicap. Digamos que a pessoa que descreve, sendo jovem, ainda está a tempo de corrigir algumas orientações e preparar-se para sofrer as consequências se não o fizer.

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Fugidia,

Sintetizando: não tenho expectativas de comer o bolo todo e um homem de uma certa idade precisa, claro, de mais descanso para continuar a ser competente. (risos)

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Patti,

Às vezes dá-nos para isto. Obrigado pelas suas palavras. Terminará da melhor forma, com ou sem bolo, sim. :)

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Ana,

Ah pois não... :)

Luísa disse...

Mike, esboçou-nos as grandes linhas da história. Agora conte-nos os «juicy details». ;-)
Mas tem toda a razão. Quem se lança numa empresa, negócio ou iniciativa demasiado cheio de si e de certezas sofre, quase invariavelmente, algumas decepções. A atitude subtil do felino que espreita a presa, ou a atitude modesta do «diabinho» que tenta as vaidades da outra parte tem mais probabilidades de sucesso. ;-)))
Isto, sem desprimor para o felino ou o «diabinho». Ambos conhecem e cumprem a regras do jogo. E até há quem diga que o «diabinho» é, na verdade, o último verdadeiro humanista na história da nossa espécie; o único que ainda compreende, aceita e não pretende alterar a natureza humana. ;-))))))
(E com esta me calo, que já desconversei mais do que a conta).

Mike disse...

Luísa,

Desconversou lindamente. Os "juicy details" terão que ficar para mais tarde quando a ocasião for a mais apropriada. Gostei de ler que o "diabinho" é o último verdadeiro humanista da nossa espécie. ;)

Ana Campos disse...

Com as coisas que tenho visto e vivido, as pessoas estão cada vez mais assim.
Mais viradas para si mesmas, e só olham para os outros sempre com uma segunda intenção.
A humildade não existe, a verdade já não impera.
Assim comemos todos do mesmo bolo, mas o sabor é diferente para cada um de nós.
Beijokas

Ana Mestre disse...

Concordo com a Ana Campos...Já não há humildade..

Mike disse...

Ana Campos,

O problema acresce quando as pessoas deviam mostrar mais responsabilidade em face de questões que ultrapassam o âmbito meramente pessoal, estando muitas coisas em jogo.

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Ana Mestre,

Nos negócios, a humildade é algo que deve ser gerido. ;)

ana v. disse...

Uma das vantages da idade. Esse foi um jogo desigual, parece-me bem... mas é assim mesmo, é com a experiência e com as asneiradas que se aprende. Para a próxima, talvez o advogadozinho esteja já menos cheio de si...

mike disse...

Talvez tenha sido, Ana. ;)

bacouca disse...

Mike,
Se usou o "fair play" e aguarda com paciência e um sorriso a espera de consciência tranquila, tenho a certeza que se irá "alambuzar"...
Xi-coração

mike disse...

Obrigado, Bacouca.
Lá mais para a frente, tenha dado certo, ou dado para o torto, saberão. :)

Marciel disse...

Caro amigo de alem mar.
Achei interessante o tópico colocado aqui, apesar de notar uma falha sua na grafia do termo em inglês, que é "fair play" e não "flair play".

Ainda assim é bom retratar o quanto a arrogância pode ser daninha. Poucos são os que enchergam isso como você.

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