Dia 1 de Abril é o Dia da Mentira e hoje, dia 3, é o Dia da Verdade. Nunca percebi porque é que tem que haver um Dia da Mentira, e confesso que não me dei ao trabalho de procurar sequer uma explicação. Nunca percebi lá muito bem pela simples razão que todos os dias, sem excepção, são dias de mentiras. Ora se todos os dias são dias de mentiras e não há um só dia que seja dia de verdades, porque raio é que haverá de haver um Dia da Verdade? E é curioso o facto de se comemorar, ou pelo menos é lembrado, o Dia da Mentira e se ter votado ao esquecimento o Dia da Verdade... lá estou eu a desconversar...3.4.08
Dia da Verdade?
Dia 1 de Abril é o Dia da Mentira e hoje, dia 3, é o Dia da Verdade. Nunca percebi porque é que tem que haver um Dia da Mentira, e confesso que não me dei ao trabalho de procurar sequer uma explicação. Nunca percebi lá muito bem pela simples razão que todos os dias, sem excepção, são dias de mentiras. Ora se todos os dias são dias de mentiras e não há um só dia que seja dia de verdades, porque raio é que haverá de haver um Dia da Verdade? E é curioso o facto de se comemorar, ou pelo menos é lembrado, o Dia da Mentira e se ter votado ao esquecimento o Dia da Verdade... lá estou eu a desconversar...Rio Negro, Brasil.
1.4.08
Vidas (II)
Pensou no marido enquanto se olhava ao espelho pela última vez e num acto de cumplicidade usou o dedo indicador da mão direita para afrouxar a ponta do decote do vestido, deixando antever um pouco mais do seu peito firme de pele clara. Tinham sido apresentados num fim de tarde primaveril, quando na companhia dos pais assistia a um concerto nos Paços do Concelho. Não foi um amor à primeira vista mas ainda hoje guardava memória desse primeiro encontro. Ele não passava despercebido e mais do que ser um homem bonito, emanava muito carácter e uma forte personalidade. Era um jovem músico promissor, com muito talento, que tinha a capacidade de tocar vários instrumentos com um à vontade invulgar, não se podendo dizer que fosse uma pessoa popular, de sorriso fácil e conversador, o que o tornava de certa maneira, intrigante aos olhos da jovem. Sentiu uma tranquilidade inesperada quando lhe pegou na mão direita para a beijar de forma subtil, seguindo rigorosamente a etiqueta. Tal como foi inesperada a sensação de vulnerabilidade que experimentou quando aquele jovem moreno que estava à sua frente, a olhou nos olhos sem pestanejar e lhe disse com uma voz grave e segura que esperava que ela apreciasse o concerto, o que de facto sucedeu.
Estrada abaixo, estrada acima...
Escrevo porque sim. Porque gosto e porque encontrei na escrita uma terapia para o infindável dia-a-dia contínuo em que por vezes, como muitos outros milhares, sou consumido pelos horários, pelas regras, pela competitividade e porque, acima de tudo, quando escrevo me liberto das decisões. Um dia hei-de arranjar um decisómetro, uma espécie de decision counter, mas uma coisa sofisticada que permita aferir não só em quantidade, como também sobre a qualidade das decisões tomadas. Mas já estou a divagar... escrevo porque me apetece e tenho notado que, ultimamente, a inspiração – palavra pomposa no meu caso, já que devia ser aplicada apenas a partir do grau aprendiz para cima, grau a que, manifestamente não pertenço – tenho notado, dizia, que a vontade de escrever tem chegado amíude através da visualização de uma foto e das sensações e pensamentos que ela provoca. (Será que isso tem a ver com facto de ser publicitário?) Como foi este caso, ao olhar para esta depois de uma divertida conversa filosófica com a mais nova sobre a vida. Estrada acima, estrada abaixo, como a vida é, com altos e baixos, traços contínuos, avisadores aos mais incautos que o quebrar de uma regra poderá ter consequências trágicas, caminhos feitos de estradas com linhas a tracejado, indicadoras de que os mais inconformados poderão seguir o seu caminho a outra velocidade mas em que a impaciência poderá ser penalizada, estradas abertas em que a vista nos transmite segurança, lombas em que o perigo espreita do lado de lá. Ela, a mais nova, achou piada ao paralelismo e perguntou-me se ao mano, que está a tirar a carta de condução, lhe ensinavam as coisas assim. Não sei filha, já tirei a carta há muito tempo, mas a vida é assim, como esta estrada. Ela riu-se e seguiu rumo ao seu mp3, que tinha uma música para ouvir, ela que tem uma vida inteira para viver.
Jazz Favorites (XIII). Carmen McRae. Que voz tinha esta senhora...
Carmen McRae foi um prodígio no piano, cantou na orquestra de Benny Carter e com as de Count Basie e Mercer Ellington. As suas improvisações em scat e a escolha do repertório fazia com que cantasse dentro de uma profundidade emocional em cada momento lírico. "Ela tinha um sentido musical para saber que, quando tivesse cinco tons para cantar, descobriria o tom certo e seguiria em frente" disse o baterista Joey Baron, que trabalhou com McRae. Carmen McRae foi uma das primeiras e das melhores vocalistas do bebop.(in Clube de Jazz).
E este bichinho que não me larga.
Ao contrário do que acontecia com os meus amigos, o ski para mim era uma actividade individual e solitária. Das nove da manhã às cinco da tarde, descontando uma breve paragem para almoço, era eu e a montanha coberta de neve, num prazer egoísta a descer pistas. Desde que as minhas filhas se juntaram a mim já não é bem assim. E ainda bem. A semana na neve passou a ser um momento fantástico de convívio, de muito riso e paródia em que por vezes me sinto um adolescente. Guardo as manhãs para descer as pistas solitariamente enquanto elas têm as aulas, mas as tardes são passadas em família. E estou prestes a sucumbir ao bichinho que não me larga e as minhas filhas, que se tornaram numas fanáticas, mais não fazem que contribuir para que este frenesim aumente. A mais velha teve o baptismo o ano passado, a mais nova, que se iniciou no ski com cinco anos, já desce as pistas comigo sem mais hesitações que não sejam as próprias do bom senso e da prudência. Com os rapazes é diferente. O mais velho até agora não esteve para aí virado, mas já confessou que da próxima vez irá experimentar snowboard, só para contrariar o pai, claro. O mais novo, esse vai ter que esperar senão não desço pista nenhuma de jeito. Agora as meninas, é um ai Jesus que aumenta à medida que vêem os meses passarem e sentem o perigo da neve se acabar. Acho que lhes vou fazer a vontade e juntar um par de dias a um destes próximos fins-de-semana, e abalamos todos para uma estância aqui ao lado, que este ano não há tempo para uma semana inteira. Faço-lhes a vontade... e o pai agradece.
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