24.12.09

Uma história mais, para mais tarde contar.

Gosto pouco de deambular pelo passado, apesar de não ter queixas de grande monta ou muitas marcas de agruras remotas. Não gosto mais de me perder em perspectivas de um futuro que é, para todos, cada vez mais incerto e onde as bolas de cristal dos tempos dos nossos pais se revelavam bem mais fiáveis. Gosto mais do presente, com dias maus, dias bons, mas um dia após o outro. Contudo, hoje dei por mim a olhar para o futuro, não o meu, mas o da minha mais velha que vive noutro continente, nas antípodas, onde os meridianos fazem com que a vida dela aconteça dez horas antes da minha, exigindo uma gestão dos telefonemas com atenção redobrada. Uma da tarde aqui, onze da noite lá. Foi assim, hoje, dia 24 de Dezembro, véspera de Natal. Estava na paragem do autocarro, depois de ter terminado a labuta diária no restaurante onde trabalha a servir às mesas, para pagar o mestrado. Estava à espera do autocarro que a levaria à casa que partilha com outros jovens estudantes e onde a esperava a ceia deste Natal que, dizia ela, seria passado a bordo do bus. Rimo-nos, divirtimo-nos ao telefone e concordámos, antes de nos despedirmos, que ela teria mais uma história para mais tarde contar, a futuros herdeiros. Nesta quadra natalícia as histórias do passado que nos contavam eram algo diferentes das que contamos agora aos nossos filhos e hoje um telefonema colocou os meus pensamentos num futuro onde apenas consigo imaginar que as histórias contadas por esta nova geração serão, forçosamente, diferentes. Mas rapidamente voltei ao presente, concluindo que talvez não seja tanto assim. Talvez seja apenas mais uma história que só a mim diz respeito, sem que haja lugar a generalizações. Consequências, apenas e também, de uma educação e mentalidade que faz com haja uma história diferente a mais para contar.

18 comentários:

fugidia disse...

Hum... a pensar nos netinhos, hein?!
(risos muito abafados)
:-D

ana v. disse...

Haverá muitas histórias como estas para os nossos filhos contarem um dia aos netos. A vida mudou muito e neste aspecto para melhor, na minha opinião. Mas, como não se pode ter tudo, o Natal é mais triste com a família espalhada pelo mundo...
:-(

mike disse...

Fugidia,

Vire essa boca para lá, menina... quando chegarem os netinhos emigro! (risos)

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Ana,

É isso mesmo que eu acho. Quanto ao Natal ser mais triste, não sinto assim... mas como sabes, não sou propriamente fã do Natal.

Luísa disse...

Mike, presumo que todos tenhamos, da nossa juventude, histórias para contar. Mas as histórias dos das gerações dos nossos pais e avós e dos nossos filhos hão-de ser muito interessantes, mais aventureiras por esse mundo fora, mais cosmopolitas. :-)

cristina ribeiro disse...

Concordo com a Luísa: a nossa geração não tem muitas histórias a contar- além das imaginadas por putativos emigrantes que sonham negociar em frangos :)))

GJ disse...

Há histórias que se repetem e fazem parte do legado familiar, mesmo com o alterar dos tempos. Por outro lado, as histórias dos mais novos farão a história deles. A sua mais velha vai passar esse episódio aos descendentes, neste caso, os netinhos, Mike. E pela simples razão que para ela é um passo importante estar onde está neste momento, tem saudades do pai e da casa qb...e por isso irá reter na memória para um dia contar.:)

Mike disse...

Luísa,

Acha mesmo que poderemos generalizar? Eu também, num primeiro impulso, achei que sim, mas depois contive-me. Escute lá, está a imaginar a sua menina a viver e a passar um Natal longe de si e da família?... por isso não quis generalizar, mas se a Luísa também acha... ;D

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(gargalhada)
Ó Cristina, mas esta história não foi imaginada... (risos)

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Eu sei, GJ. :)
Mas às vezes tenho a sensação que muitas experiências destas de muitos jovens como ela, marcarão uma geração e farão com que, aos poucos, nada será como dantes. :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Os jovens de hoje terão, sem dúvida, muito mais histórias para contar do que a nossa geração. Histórias dferentes, com mais mundividência que os enriquece e ensina a ver a vida de uma forma muito diferente.

Mike disse...

Carlos,

Vejo que concorda. Começo a acreditar que, pé ante pé, esse conceito poderá ser generalizado. Um abraço.

cristina ribeiro disse...

Mike, claro que não me referia a este post :)

GJ disse...

Sair de Portugal neste momento é uma dádiva de Deus, dos anjos e dos diabretes...;)

Mike disse...

Cristina,

Claro que percebi. (risos)

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GJ,

Ena, que raio de país este em que os anjos e os diabretes estão de acordo. (risada)

JúliaML disse...

eu acho que a geraçao seguinte acha sempre que tem menos a contar, mas nao é verdade..

Mike disse...

Pois não, Júlia. Definitivamente não. Eles terão sempre muito mais que contar. :)

Luísa disse...

Não percebo por que é que, em certos blogues, se fecharam subitamente as caixas de comentários, precisamente quando a «poesia» de almas que se declaram prosaicas se manifesta a níveis elevadíssimos.
Está mal! :-)))))

Mike disse...

Luísa,

E eu ainda estou para perceber porque é que, em certos blogues, se fecham subitamente as caixas de comentários quando a "poesia fotográfica" de almas que se declaram prosaicas e amadoras, se manifesta a níveis elevadíssimos. Cá se fazem, cá se pagam. :P
(risos)

JúliaML disse...

junto o meu protesto ao da Luisa e junto-lhe a minha habitual veemência...:-(

lindo, o texto e as emoções transcritas nele :-)

Fliz Ano, Mike!

Mike disse...

Pff! Olha quem fala!... (risos)
A menina é sempre muito veemente, Júlia. (mais risos)
Feliz Ano Novo. Tudo de bom, Júlia. :D

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