30.1.09

Bom fim-de-semana.

30 de Janeiro

s. f.,
lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir; pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia.

Hoje, definitivamente, não é o meu dia.

29.1.09

O estranho caso do cinema vazio.

Tratava-se de um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. Uma história fora do comum contada com mestria por David Fincher, com o argumento assinado pelo reputado Eric Roth. Para além disso, as principais interpretações estão a cargo de dois sólidos e talentosos actores, como Brad Pitt e Cate Blanchett. A fazer fé no trailer, que já tinha tido a oportunidade de ver, o filme era prometedor, para mim mais até que as 13 respeitáveis nomeações a Óscar. Comecei por estranhar menos o Caso de Benjamin Button que o facto de ter encontrado a sala de cinema praticamente vazia, e a quase total ausência de presença feminina quando me dirigi ao meu lugar. Concentrei-me no filme, absorvido pela figura desfigurada da criança envelhecida, de um homem que vive a vida ao contrário, que nos é trazida por um dos mais mediáticos actores da actualidade, sem, contudo, conseguir afastar tão singular estranheza. Chegou o intervalo e tive que fazer a vontade à minha impaciente bexiga que reclamava, bem antes das luzes se acenderem, da cerveja que o dono bebera. Vontade feita e o relógio indicava-me que ainda havia tempo para consumir um cigarro antes de ver o Benjamin Button, quer dizer, o Brad Pitt como o conhecemos. Já cheguei à sala com as luzes apagadas e amaldiçoei o vício. Eu e as pessoas que tiveram que se levantar para que pudesse ocupar o meu lugar. Entretanto a minha estranheza aumentara. A sala estava cheia. Cheia de mulheres, que o número de homens era o mesmo. Percebi. As senhoras não tinham ido ver o Estranho Caso de Benjamin Button e sim o sex symbol Brad Pitt. Estava desvendado o estranho caso do cinema vazio (até ao intervalo).

27.1.09

Tenho uma costureira.

Bem sei que é uma afirmação rara de ser proferida por um homem. Mas nem isso faz de mim um metrosexual, que, como me disse alguém há dias, está a um metro de deixar de ser heterosexual. Adiante. Sei pregar botões e desenrasco-me com uma agulha e linha desde que dei com os costados na Escola de Fuzileiros e penei como cadete. Mas daí até dar conta das baínhas das calças ou cerezir uma peça de roupa vai uma distância considerável. Quando me mudei de armas, filhos e bagagens confrontei-me com esses detalhes e um dia perguntei na lavandaria à senhora que me atendia se fazia ou sabia de alguém que fizesse esses trabalhos minuciosos. Sugeriu-me a D. Rosa, uma senhora que tem um estaminé no Mercado de Alvalade. Achei estranho mas não tinha nada a perder a não ser o resto das baínhas. E um dia lá fui eu de manhã, aperaltado, de fato e gravata, barba feita e cheiroso ao Mercado de Alvalade em busca da D. Rosa. Nesse dia foi com um confessado desconforto que atravessei o Mercado, entre as bancas do peixe e dos legumes, e dos pregões das vendedoras, à procura daquela que passaria a ser a minha costureira até hoje. Uma senhora a rondar os cinquenta e muitos anos, toda arranjada e maquilhada com um gosto que considero soferível, mais próximo do gaiteiro. Encontrei-a, trocámos dois dedos de conversa para explicar o que precisava e deixei lá o vestuário. A curiosidade da vizinhança fez-se notar. Disse-me a D. Rosa, logo no primeiro dia, que percebia bem o meu problema, que há coisas que um homem sozinho não pode fazer e que sem uma mulher em casa é preciso quem as faça. Deixei a caução prevista e, entre sorrisos da vizinhança, despedi-me. O primeiro serviço foi do meu agrado e passei a considerar a D. Rosa a minha costureira, até hoje. E sê-lo-à até ver. Há uns tempos, sentindo-se com um à-vontade que uma relação continuada entre cliente e fornecedor podem sugerir, e ao aperceber-se que me afastava depois de outra encomenda, sussurou para as vizinhas sem saber que a tinha ouvido: já viste Elvira? tão mal empregadinho. Já nem me lembro o que pensei na altura para além de, muito possivelmente, ter corado e ter dado uma gargalhada silenciosa. É competente mas algo atrevida a minha costureira.

Achei-te tristonha, hoje.

Talvez por força deste enamoramento que não tem fim, e que começou há cerca de vinte anos atrás, ou por me teres habituado ao teu sorriso aberto com que me recebes antes de dares uma genuína gargalhada quando me abraças. E tu não abraças qualquer pessoa, bem sei. Deixa-me dizer-te, repetindo-me, o que penso de ti e como te vejo. És uma senhora na verdadeira acepção da palavra, uma senhora que não teve uma infância e uma juventude fáceis e tudo o que conseguiste na vida foi com sacrifício, devoção e crença. És uma senhora culta, excelente conversadora e sedutora por natureza, que sabe viver a vida porque sabe o que quer dela. E aos meus olhos, és uma bela mulher. Não direi que sejas de uma beleza delicada e frágil, que o que é mais belo em ti é o teu carácter firme mas de um eterno e desconcertante romantismo. Mas hoje achei-te tristonha e não me digas que foi por causa da chuva, coisa que estás habituada. Achei-te até um bocado irritadiça. Talvez tenhas tido um mau dia. Todos temos, não deixes que isso te apoquente. Olha, só te queria dizer, ó Invicta, que cheguei bem a Lisboa, depois de uma viagem cansativa, e que continuo a gostar muito de ti.

26.1.09

Porque hoje é Pondëli.


As minhas actrizes favoritas:

Juliette Binoche

24.1.09

O que mais me chama a atenção numa mulher?



O tema está longe de ser consensual. A subjectividade que lhe está inerente assenta em algo que dificilmente admite discussão, ou pelo menos uma discussão que leve a uma convergência de pontos de vista. Refiro-me ao gosto pessoal e tudo o que está por trás dele, quando o tema é o que mais chama a atenção a um homem numa mulher, fisicamente falando. Eu sei, e não é de agora, o que mais me chama a atenção numa mulher. Os pés e as mãos. Sem qualquer espécie de hesitação. Mãos e pés bonitos, e cuidados. Mesmo quando me deparo com uma mulher bela, os meus olhos, sem que nada faça para o evitar, desviam-se para os pés a para as mãos. Se forem bonitos ela torna-se, num abrir e fechar de olhos, ainda mais bela. Caso contrário, o desapontamento inquina e ofusca, num fechar de olhos, toda a beleza. Definitivamente, o que mais me chama a atenção numa mulher são os pés e as mãos. A Lucy Liu é um bom exemplo para perceberem o quero dizer.