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18.6.15

Dias

Um dia como os outros? Não! Um dia inesperadamente diferente. 
Um dia que, sem ter sido mau - longe disso - se tornou num dia melhor. 
Por ter sido inesperadamente diferente? Também! O inesperado foi apenas o sal... que temperou uma voz. 

8.6.15

Goals

I have this goal: to avoid frustration (I’ve had enough).
How the hell can you do it? (by building walls around your comfort zone?)
No, it’s simpler: to stop dreaming. 

Coisas

Há “coisas” que, talvez por estarem há tanto tempo à nossa frente, nem as conseguíamos ver. Até que abrimos os olhos. Da alma.

4.6.15

Gostar

Gosto de gostar logo, de imediato, no momento, naquele instante. Gosto mais de gostar assim do que ir gostando. De gostar logo de uma comida, de um filme, de uma música, de uma pessoa, de um trabalho. Com a vida aprendi a ir gostando, mas não é do que mais gosto. 

Haverá de certeza mais, mas Lisboa é a primeira excepção que me vem à cabeça. Será? será que aprendi a gostar dela ou sempre gostei e quase sempre neguei? Pouco importa: hoje gosto de Lisboa de imediato; e vivo-a como nunca a vivi.

Passado, futuro, presente


As pessoas estão sempre a dizer que querem criar um futuro melhor. Em certa medida concordo com Milan Kundera quando ele diz que isso não é verdade; que o futuro não é interessante para ninguém. O passado é cheio de vida, está ali pronto para nos irritar, provocar e insultar-nos, desafinado-nos a destruí-lo ou a refazê-lo. A razão por que as pessoas anseiam ser masters do futuro é para mudarem o passado. Ilusão, dir-me-ão: o passado não se muda. Não é totalmente verdade. Talvez não o mudemos, é certo; mas podemos construí-lo, mudando o presente que tivermos vontade e conseguimos mudar, e que, afinal, será passado daqui a pouco.

3.6.15

Casa-trabalho-trabalho-casa

E assim se passam os dias, as semanas, os meses. Não creio que o meu dia-a-dia seja muito diferente dos demais; aliás, tenho a certeza que não é. E isso é suposto reconfortar-me? Confesso que já não tenho tanta certeza disso. Uma voz diz-me que sim, outra diz-me que não. Mas o que interessa o que as vozes me dizem, se o que é mais importante é o que eu sinto?  Que se lixem as vozes! Não, não me sinto reconfortado. Nada que uma ou duas cervejas geladas a acompanhar o jantar não apazigúem momentaneamente... apenas isso.


Hoje devia ter corrido, mas faltou-me energia e ânimo depois de um dia tenso e intenso; daqueles em que ficamos com um amargo de boca por termos dado tudo e o nosso melhor e mesmo assim não termos sido bem sucedidos. Acontece aos que metem mãos à obra; a bem dizer, só acontece a esses. Só me apetecia vir para casa e nem fiz a mais ténue tentativa de me equipar. Ainda vou ter que admitir que ter a minha casa à espera para me receber é uma dádiva e que deveria estar grato em vez de me lamentar. Pois muito bem: admito!  

2.6.15

Paz


O tempo ensinou-me a gostar de memórias. Não de todas, mas isso não interessa para o caso; o importante é ter aprendido a gostar delas. Vou chamar-lhe paz, que é a primeira palavra que me vem à memória. 

Sobrevivente

Gosto de pioneiros. Mas não aprecio sobreviventes. 
Nunca fui um pioneiro. E tornei-me um sobrevivente.

Existir não é viver. Pois não, de facto não é!
Existir já não é nada mau; e sobreviver é ainda melhor (e não é para todos).

1.6.15

Um lar (que nunca será)


Há casas que nunca serão um lar. E não é porque os chineses, proverbial e sabiamente - acho que que é um ditado chinês - dizem que a diferença entre uma casa e um lar, é que neste habita e existe uma mulher. Há casas que têm uma atmosfera densa, como se as paredes estivessem contaminadas e o ar estivesse impregnado de matéria pegajosa, daquela que se cola à pele mesmo que façamos tudo para o evitar. Concordo com o ditado chinês, mas ainda assim, há casas que nunca serão aquilo que nunca foram: um lar.

31.5.15

Porquê Desconversa?


Creio que nunca ninguém me perguntou e também, em boa verdade, não acho que isso seja importante. Os nomes que damos às coisas só têm que ter significado para nós. Mas fica o registo: Desconversa inspirou-se em Mário Quintana. Não conheci ninguém, até agora, que desconversasse ou treslesse como ele. 

15.2.15

Gosto de ver pele.
Mas gosto muito mais de a sentir.

18.1.15

Eu choro muitas vezes. Tantas. Sem lágrimas.

7.12.13

Dear Mandela,



This small letter will find you on your last way to a deserved and final freedom. I must confess, to be honest, that I am not really sure why I am writing this letter. Somehow I feel this strong need to do it, but I also feel that it doesn’t make sense. We both know that nobody is eternal but you know, Nelson, I can’t avoid feeling a bit like an orphan. We all know that you were not a saint, unless we see a saint as a sinner that keeps trying. You said it. The problem, my dear Nelson, is that you were the last public personality alive that I truly admired. That’s why I feel a kind of fatherless. And I am old enough to know that most of us, all over the world, that cried your death will forget your teachings and your legacy. We will say “no we won’t” but we will. And you will not be here to remind us with your wisdom, your kindness, your love and above all your strength, your faith and your goodness. It has already happened with Christ and Mahatma Gandhi. Nobody on earth is able to do what you have done. It’s not about reading what you said or what you did. It’s about your unique character. A unique character and courage of a simple man that puts himself a task considered impossible by many, but which made possible the miracle of reconciliation of a nation: freeing both the oppressed and the oppressor. It’s not about doing the right things when life smiles at you. It’s about doing the right things when life turns its back to you. The job is never done, isn’t it? But your job has been done. I recognize that smile of yours. The smile that only men and women have when the job is done. Well done in your case, I would say.

With my deepest respect and warm regards.

Farewell, Nelson Mandela.




1.10.13

Cidades


Há pessoas que, logo num primeiro contacto, mostram o que são: desorganizadas e desordenadas, iletradas, incultas, pobres e que emanam uma felicidade e uma descontracção que, inevitavelmente, consideramos irresponsável. Há outras pessoas que são diferentes. E que conseguem fazer com que levemos tempo até percebermos que afinal não são. Excepção feita à felicidade e descontracção. Emanam uma tristeza e um ar sério que, equivocadamente, consideramos responsável. Descobri que com as cidades também é assim. Talvez por serem habitadas por pessoas diferentes. 

1.8.13

Hoje.

Hoje.
Hoje lavei a alma. E a alma sorriu-me mais forte que ontem. 
Sorriu, tímida, com um sabor inesperado a sal. Hoje lavei a alma. 
Hoje voltei aqui, depois de mais de dois anos sem desconversar.
Hoje. E amanhã? Amanhã é amanhã, certo? 

30.3.11

Route 51

No mesmo dia de um dos meus pintores preferidos: Vincent van Gogh.

6.3.11

Schweigen!

Estávamos de acordo numa coisa: concentração e estudo significam, desde o tempo do liceu, silêncio. Silêncio que nem admite uma música sossegada com o som baixo. Ela, a quem carinhosamente chamo fräulein (outra questão em que estamos de acordo, mas que não interessa agora aprofundar) acrescenta que até para manobras de estacionamento baixa o som do rádio do carro. Tremi. O meu carro é alemão e quando nos preparamos para estacionar, o som do rádio baixa automaticamente. O mindset é o mesmo. Lá na Alemanha os engenheiros pensaram na mesma coisa e da mesma maneira. Querem ver que ela é mesmo fräulein?

19.2.11

Coisas da vida.

Às vezes penso que a providência divina colocou uma mulher virtuosa na minha vida para, entre outras coisas, evitar que eu ceda ao meu instinto prevaricador. Como se me acompanhasse a voz da justiça. E eu, aos poucos, vou-me convertendo, como que entrando nos eixos. Mas é mais forte do que eu, percebem? E por vezes cedo ao meu instinto prevaricador quando essa voz não me acompanha. E quando cedo sabem o que acontece? Dou de caras com a autoridade e... “sai-me do bolso”.

12.12.10

PIB

Ouvi há dias na rádio (RFM), num daqueles momentos em que nos convidam a reflectir, algo muito curioso sobre o PIB. Algo mais ou menos assim: um país e um povo que mede a sua riqueza apenas e só pelo PIB, não vai no bom caminho e precisa rapidamente de se reencontrar. Concordei em silêncio.

23.11.10

Ainda sobre o dinheiro e a dignidade.

Comecemos por esta definição, antecipando parte da resposta ao comentário da Luísa e que, à falta de melhor evite apreciações subjectivas. É, com base nesta permissa, que elaboro as minhas respostas.

“Dignidade é a palavra que define uma linha de honestidade e acções correctas baseadas na justiça e nos direitos humanos, construída através dos anos e criando uma reputação favorável ao indivíduo. Respeitando todos os códigos de ética e cidadania e nunca transgredindo-os, ferindo a moral e os direitos de outras pessoas”.


Sobre a possibilidade de um comprar a outra, sou levado a concordar, infelizmente, com a Dreamer. E a dizer à Sum que continue a ser menina, esperando que possa e consiga continuar a sê-lo. Quanto ao benefício da dúvida, e como em tudo na vida, claro que só compra a dignidade de alguns. E é preciso que a tenham para poder ser comprada. Que tal assim, Sum? Rita Vasconcelos, se me permite vou discordar: compra ambos, silêncio e dignidade, entre outras coisas. Ah, GJ, o seu comentário daria pano para mangas, Colega. Concordo que não compre savoir-faire, gentileza ou sabedoria. Mas quanto a dignidade, minha cara GJ, estamos em desacordo. Atente na definição. Luísa, não pude deixar de me rir com o seu comentário sobre o monante. Que negociadora, me saiu a senhora!

Perante esta definição, da qual poderão discordar, nos tempos que correm e para quem o verbo e o acto de decidir são exercidos para além do campo teórico, continuo a achar que sim, que um compra a outra. Infelizmente!