14.11.10

O business e a vida.

Entre cenários de crise em que os gestores são postos à prova, num equilíbrio por vezes instável entre convicções, princípios e deveres; entre reuniões com interlocutores a quem os números tornam implacáveis personagens; entre viagens em que mesmo acompanhados, a solidão se mantém como fiel companhia; entre tudo isso, tive o privilégio de conhecer melhor o Otto. Já o conhecia mas mal me lembrava dele. Depois da última reunião e antes de apanhar o voo de regresso a Lisboa, fui até casa do Otto. Um lugar simples mas impressionante. Mas não foi esse lugar, ou mesmo a história da vida dele e da sua família, que me deixaram a pensar. Foi o que ouvi dele, pouco antes de me despedir do lugar, e já na rua enquanto acendia um cigarro e esperava que um táxi passasse e me levasse ao aeroporto. Dizia o Otto, de uma forma serena, que a maior parte dos pais não conhece os seus filhos. Ele, que privou com a filha durante anos, os últimos dos quais muito difíceis, e até que os campos de extermínio de Auschwitz e Bergen-Belsen fizessem, dramaticamente, parte das suas vidas, só soubera quem era a sua filha Anne depois de ler o diário que durante anos, e depois da sua morte, recusara sempre ler. “For me, it was a revelation. There, was revealed a completely different Anne to the child that I had lost. I had no idea of the depths of her thoughts and feelings.” O business levou-me, uma vez mais, a Amsterdão e foi o business que me levou até casa do desconhecido pai da menina eterna que escreveu um famoso diário. O business transportou-me, (ou devolveu-me?), desta vez e sem que ambos tivéssemos previsto, para a vida real. Tão cedo não esquecerei as palavras do Otto. Logo eu, que sou pai de quatro filhos.

1.10.10

Bom fim-de-semana.

Foto: Olhares

26.9.10

Comigo, aos cinquenta, é o contrário.

É normal ouvir dizer-se, eu próprio o disse várias vezes, mas há uns anos atrás, "queria ter vinte anos e saber o que sei hoje". Comigo é exactamente ao contrário. Gostaria de ter sessenta e cinco anos e queria lá saber o que sei hoje.

Bom fim-de-semana.

22.9.10

Pois tenho.

Tenho um bom filho. Um bom menino. Menino que é como quem diz, que já vai a caminho dos vinte e dois anos. Há muito que queria dizê-lo, escrevê-lo. Companheiro de vida. Gosto deste meu filho que comigo vive nesta casa, que agora nos parece grande e de quem tão pouco dou a conhecer. Tenho um bom filho. E sorrio ao dizê-lo. Apeteceu-me escrever, assim, simplesmente, e sem muitas palavras. Por não sentir falta delas, bastando-me o que sinto. Tenho um bom menino. Pois tenho.

19.9.10

Os espanhóis têm razão.

A credibilidade do futebol português é igual a zero. Depois do presidente do orgão máximo do futebol ter afirmado que a equipa portuguesa tinha capacidade para jogar em automático (com os resultados que se conhecem) e depois da novela Carlos Queiroz, faz uma enorme maldade ao profissional português com maior reputação internacional, ao fazer a disparatada proposta a José Mourinho. Espero que o Real Madrid diga que não. Eu diria que não, sem hesitar. É lata a mais e impunidade a menos.

Nós...

... hoje fizemos as perguntas que devíamos ter feito um ao outro quando nos conhecemos. E rimo-nos. Com as respostas e um para o outro. Hoje não era um dia especial. Passou a ser. Para nós.