10.2.10

O que é nacional é bom. (XXV)

Descendente dos velhos perdigueiros peninsulares, existe seguramente em Portugal pelo menos desde o século XIV, tendo sido, de início, criado nos canis reais e da nobreza e utilizado na caça de altanaria. É um óptimo cão de parar, muito afectivo e inteligente que busca a caça de forma metódica, alegre e apaixonada, em galope moderado ou trote ligeiro, adaptando-se com facilidade a todo o tipo de terreno e clima. Cobra muito bem, com habilidade e persistência, em terra ou na água, entregando a peça com prazer e sem a danificar. Dotado de grande resistência, o Perdigueiro Português é um cão submisso, meigo, leal e com espírito sofredor, e mantém uma constante ligação ao caçador. É nacional e é muito bom.

Fonte: O Portal do Caçador.

7.2.10

Pelo sim, pelo não...

Disse-lhe ele, num desabafo em tom de ameaça: "vou telefonar ao teu irmão, que te conhece bem e há-de dizer-me como lidar contigo, que és rabugenta". Respondeu-lhe ela: "ele há-de dizer-te larga-a". Ele não telefonou.

Alguém me explica?

Nas terapias não é suposto instalarmo-nos confortavelmente? Então por que raio alguém se lembra em transformá-las em longas, agradáveis, mas esgotantes caminhadas?

Foi cometido um delito. Mas de opinião.

Este texto, que considerei envolvente, arrebatador e extraordinariamente bem escrito pela Leonor Barros, aguçou o meu apetite e vontade de ver Invictus, estreado há poucos dias. A minha opinião sobre Nelson Mandela registei-a há cerca de três anos, quando escrevi “… principiei a leitura de Longo Caminho para a Liberdade, a autobiografia da personalidade pública que mais admiro e quase venero. Nesse Longo Caminho, um elevado e sublime exemplo de vida sobrepõe-se à exemplar referência política, retratada num texto admirável com um perfume poético, onde um homem simples coloca a si próprio uma missão por muitos considerada impossível, mas que tornou possível o milagre da reconciliação de uma nação: libertar ao mesmo tempo o oprimido e o opressor”. Do râguebi sou um incondicional apaixonado e ex-praticante, e revejo-me na célebre frase que o retrata como um jogo de arruaceiros praticado por cavalheiros, contrariamente ao futebol, um jogo de cavalheiros praticado por arruaceiros. Reviver uma parte, por mais pequena que fosse, da vida desse grande homem que foi, e é, Nelson Mandela, e reviver o mítico Campeonato do Mundo de Râguebi de 1995, numa história levada para a tela pelo Clint Eastwood, produtor e realizador de Invictus, o cineasta de filmes marcantes como Mystic River, Million Dollar Baby, Letters From Ivo Jima, Changeling e Gran Torino, já seriam motivos suficientes para me levar a ver Invictus. O texto da Leonor perfumou o caminho que me levou até ao cinema. Para, em meu entender, ver um dos piores filmes do realizador que tanto admiro. As expectativas, quiçá demasiado elevadas, não explicam o desapontamento. Salvaram-se as interpretações, sem grande louvor, de Morgan Freeman e Matt Damon, num filme surpreendentemente fraco e pobre, com Clint Eastwood a milhas, muitas milhas do que nos habituou recentemente, no seu melhor papel que é atrás da câmara. Retenho na memória, pelas piores razões, a cena da visita dos jogadores da Selecção Sul-Africana à cela de Mandela. Um momento em que o realizador desperdiçou mais uma oportunidade, entre tantas, de nos transmitir a grandiosidade do momento, quedando-se pelo banal. Inexplicável. Foi inevitável ter-me lembrado do texto perfumado da Leonor. E sorri perante o impulso de me conceder a liberdade de executar uma dupla condenação, ao texto e à autora. Afinal foi cometido apenas um delito de opinião. E delitos como o da Leonor têm mais desculpa e são mais gratificantes que a realização de Clint Eastwood em Invictus.

Nota:
A primeira vez que li o texto da Leonor Barros foi no Delito de Opinião (daí a referência ao título) mas não consegui fazer o link para o blogue correspondente, apenas conseguindo fazê-lo para A Curva na Estrada. Concerteza por manifesta inaptidão da minha parte.

5.2.10

Bom fim-de-semana.

Foto: Olhares

1.2.10

Porque hoje é segunda-feira, os meus filmes.



Pulp Fiction

(Hoje deixo duas cenas apesar de, para mim, a cena do breakfast ser uma das que melhor define Pulp Fiction. Em respeito de quem tem manifestado relutância à violência, o lado mais light e fun do filme, na memorável e inesquecível dance scene).