Ainda sobre Luanda, apesar de ter dito que não haveria muito mais a dizer sobre a minha breve estadia nessa imensa e desordenada metrópole africana. Em Luanda vê-se e convive-se com a pobreza. Uma pobreza visível e assumida que, inevitavelmente, nos incomoda e faz-nos pensar. Diferente da nossa, que é uma pobreza envergonhada, complexada e escondida, a acreditar nos últimos estudos que apontam para números preocupantes que revelam o facto de 50% dos portugueses viverem abaixo ou no limiar da probreza. Dizia-me há tempos alguém que divide o tempo lá fora e cá dentro, que quando chega a Portugal, não fosse o desejo de estar com a família, iria de imediato das “chegadas” para as “partidas” sem sair do aeroporto, por sentir o país cada vez mais deprimido e depressivo. Mas voltemos a Luanda e aos seus habitantes. Porque se riem eles e se mostram optimistas se são na sua maioria pobres e enfrentam problemas básicos, muitos deles para nós já há muito ultrapassados? Creio, e não encontro outra razão, que é por terem esperança, viverem com ela. E esperança, ou a falta dela, não tem a ver apenas com pobreza, pois não? É caso para dizer que a pobreza é quase toda igual, mas esperança, uns têm-na e outros perderam-na ou vivem o sentimento de estarem a perdê-la (não sei o que é pior). Talvez tivesse sido, também isso, que me fez sentir estar numa cidade onde as coisas estão a acontecer e se vive um clima de optimismo, apesar de tudo.A imagem foi escolhida em agradecimento à GJ, autora do texto "Pontos de encontro".




