7.4.10

O Clero em apuros com o aumento do risco de enfartes?

Evito o mais possível os temas Igreja e Clero por razões que não sou obrigado a explicar. Mas hoje, ao ler uma notícia, não pude deixar de sorrir angelicalmente e de fazer uma associação ao Clero. O título da notícia diz que sexo a dobrar diminui o risco de enfartes. O desenvolvimento do artigo garante que é oficial e está comprovado cientificamente. Os homens que praticam sexo pelo menos duas vezes por semana têm 45% menos probabilidades de desenvolver doenças cardíacas do que aqueles que o fazem apenas uma vez por mês. Num primeiro momento ainda pensei que estivesse alguma marca de preservativos por trás da questão ou, porventura, um laboratório que tenha feito avultados investimentos em investigação na criação de uma espécie de aspirina mais leve, que suportasse algumas desculpas de ocasião. Confesso que foi um pensamento fugaz num primeiro momento, porque de imediato pensei no Clero. E no facto de poder estar em apuros com uma coisa séria como são os enfartes. E, confesso, também pensei em mim. É que o risco destas coisas nefastas acontecerem, segundo dizem, aumenta exponencialmente nos homens a partir dos cinquenta anos, o que significa que tenho que me acautelar. Assim como assim, e como sempre ouvi dizer, antes dois pássaros na mão que um a voar, não acham?

2.4.10

Bom fim-de-semana.

Foto: Olhares

1.4.10

Então está bem, pronto.

O desemprego chega a índices nunca atingidos nos últimos anos. Mas estamos a atingir o nível máximo, diz um porta-voz do governo. Ah, pronto, então fico mais descansado. As histórias de trocas e baldrocas multiplicam-se: cursos e diplomas, Freeports, PT, TVI, escutas, concursos públicos e agora submarinos. Mas nada disso foi provado. Ah, pronto, então desculpem-me. Também há salários milionários em Portugal, um país pobre. O presidente da EDP (por acaso uma pessoa que considero competente) aufere uma remuneração, entre fixa e variável, de oito mil e quinhemtos euros por dia. Claro, Mike. Estavas à espera de quê, se um jovem administrador nomeado pelo Estado para uma empresa que presta um serviço público auferia dois milhões e meio de euros por ano? Ah, pronto, então está bem, tudo faz sentido, agora. A CGD já “meteu” no BPN três mil milhões de euros, ou seja, 50% do seu capital social, e o presidente assumiu não ter um plano para a venda do BPN, nem temporalmente, nem faseadamente. Ah, pronto, então há que esperar, talvez quando o dinheiro lá “metido” forem dez mil milhões alguém se preocupe seriamente com o assunto. Ou com o facto dos responsáveis por uma gestão danosa nesse Banco terem recebido bónus referentes a 2009. Quem me dera que hoje fosse dia 1 de Abril, Dia das Mentiras. Ah é dia 1? Então está bem, pronto.

30.3.10

Fifties.

Tive quase todas as pessoas que queria que estivessem comigo. Digo quase porque faltou a mais velha, que às oito da manhã se preparava para ir apanhar ondas no mar da longínqua Austrália. Tive direito a uma muamba autêntica, com pirão e tudo. O mais velho esmerou-se na cozinha e um esplêndido arroz picante foi servido ao jantar. A "pensão estrelinha" tem novos hóspedes esta noite. Aos filhos juntaram-se a sobrinha, uma amiga da mais nova e a minha mãe. Dormem todos cá em casa hoje. A ti, que és especial e única, tudo agradeço. O momento especial e a muamba também. Amanhã será um dia como outro qualquer, apenas o primeiro depois dos cinquenta.

28.3.10

Sobre o Dia do Pai.

O Dia do Pai já passou. Não sou muito ligado a dias destes, impostos. E hesitei em escrever e tornar público este texto. O que me levou a fazê-lo, confesso, foi o facto de ter sido surpreendido, eu que até nem gosto de surpresas, pela manifestação da minha mais nova de onze anos. Uma menina independente, de nariz demasiado empinado para meu gosto, de resposta também demasiado solta e pronta e que me prova, diariamente, que a minha paciência já não é a mesma. Enviou-me este e-mail (os tempos modernos não perdoam) quase sem erros, o que já não é nada mau. Após autorização prévia dela, passo a partilhar convosco.

Pai, um obrigada não chega. Alimentaste-me, ensinaste-me, educaste-me, e nos muitos momentos em que eu estava em baixo e prestes a chorar, tu estiveste e sempre estáras lá presente para me apoiar e para me fazer sorrir. Ninguém é como tu . A paciência que tens para mim e para os meus dramas, é mesmo GIGANTE. Não sei como não te cansas de mim. Acho que não conseguiria encontrar um melhor pai que tu. Ya, és bué chato e por vezes, um bocadinho cansativo, mas acho que mais nenhum pai conseguiria fazer o que fazes, ter a paciência que tu tens. Os nossos risos e loucuras, vão ficar para sempre comigo, até ao fim dos meus dias :)
Por vezes , quando vens com a cena dos beijinhos e do " gosto muito de ti" eu digo para me deixares e isso, mas é mesmo porque estás a ser chato. Porque apesar de dizer isso, não quero que vás embora. Se isso acontecesse, sinceramente, não aguentaria. Não passei o Dia do Pai contigo, mas sei que estás a sorrir agora. :-p
Beijinhos, :-)


Achei curiosa a utilização dos verbos alimentar, ensinar e educar no passado. Deve-se achar já muito crescida, é o que é. E respondi-lhe que a minha paciência não era gigante, antes infinita, safa! E que se ela não sabe como não me canso dela, é porque não está atenta.

O mais novo fez um um cartão na escola, que me entregou com um abraço. Reza assim o texto: Para o meu pai fiz esta prenda, que lhe mostra a minha mão, bom amigo e companheiro é dele o meu coração. Eu gosto do pai porque ele brinca comigo e às vezes faz-me as vontades. Vezes demais, acho eu, que há dias em que me sinto mais avô que pai.

27.3.10

Lido mal com crianças mimadas. Imaginem como me sinto com adultos mimados.

Verão Quente e, se bem me recordo quente, de 75. Depois de pouco mais de um par de meses acampados em casa da minha avó materna, rumámos à Nazaré para uma casa emprestada por primos da minha mãe. A Metrópole decepcionou-nos e eu acho que, verdadeiramente, nunca me cheguei a recompor, entregando-me a umas pazes demoradas e ainda não concluídas, com ela. Nem sei porque comecei por aqui, porque o que me fez voltar a escrever fomos nós, portugueses. Deve ser de estar cansado da crise e, pior ainda, dos portugueses de uma forma geral. Já sei porque comecei por 1975! Hoje lembrei-me duma carta de resposta da minha mãe a uma das primeiras do meu pai que entretanto tinha voltado para Angola, onde se manteve até 1986. Falava ele da tristeza e da pobreza em que tínhamos encontrado os portugueses da Metrópole e de uma melhor vida que precisavam e mereciam. Respondeu-lhe a minha mãe, polidamente, e sabendo-o defensor desse Portugal que encontrámos, que o que os portugueses precisavam não era de dinheiro, era de educação e cultura. E que a pobreza que mais a perturbava era a de espírito. Passados quase trinta e cinco anos, continuo a achar que somos um povo que de tanto ter sido protegido nas últimas décadas, se tornou num adulto mimado. Pior: um adulto que se habituou a que pensassem e agissem por ele. Incapaz de lidar com regras e disciplina, sem rigor, civismo e perigosamente irresponsável. Um adulto preguiçoso, que embirra à mínima contrariedade, com tudo e por tudo e por nada, mas que fica tolhido, sem reacção e sem capacidade de decisão face às questões que tem e deve dar resposta. Esperando sempre que “alguém” decida e resolva por ele. Há que arranjar uma solução para isto, as coisas têm que se resolver são das frazes preferidas desse adulto. Há que, tem que se, devia-se. Talvez por isso ninguém queira ser amigo dele ou poucos o respeitem. Ele próprio tem sérias dificuldades em respeitar-se. O meu conhecido optimismo nunca desceu a níveis tão baixos no que diz respeito à saída da crise em que vivemos. Porque esse adulto somos nós. E nós, está visto, somos o nosso pior inimigo. Lido mal com crianças mimadas. Agora sabem como me sinto com adultos mimados. Generalizei, eu sei, que é uma coisa que não gosto de fazer.