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20.5.09

Contem-me (as) histórias.

Vibramos com o final das histórias. Deixamo-nos encantar, suspiramos, sorrimos, não contemos uma lágrima ou lavamo-nos nelas. Os finais das histórias definem o sucesso e o insucesso, as vitórias e as derrotas, a felicidade e o fracasso. Os finais das histórias marcam a nossa memória, que parece pequena para tantos finais de histórias em que nos revemos ou sonhávamos viver. E as histórias, a parte mais importante da história, fica tantas vezes esquecida, quantas as vezes que recordamos os seus finais. Afinal, o que nos diz um final? Pouco, por vezes quase nada. Mas é ele que, implacavelmente, fica para a história, apagando injustamente tudo o que se viveu, leu, viu ou ouviu, como uma onda bravia e descuidada no seu vai-e-vem, que apaga os vestígios de uma caminhada em que uma história foi contada nas pegadas que a areia desejava perpetuar. Temos a tendência, que o nosso lado humano tem defesas que a razão conhece, em não mais nos lembrarmos das histórias que vagueiam esquecidas entre as recordações da última palavra, da leitura da última página e do último encontro. As histórias e os seus finais fazem-me lembrar os defeitos e as virtudes. Eles gravam-se na pedra e elas escrevem-se na água.