A revista Playboy é uma marca com notoriedade a nível mundial, de reputação em determinados círculos e com leitores fiéis. Uma marca que lança 12 produtos por ano, com uma periodicidade mensal, e esses 12 produtos têm 12 packagings diferentes mensalmente. As capas, que mais não são que os packagings a que me refiro, são, neste tipo de negócio e para as marcas que se inserem neste sector, tão importantes como os conteúdos. Os sentimentos de embaraço, constrangimento, vergonha, recato ou mesmo castidade, que normalmente resumimos como pudor, não fazem parte do ADN de marcas como a Playboy. No Brasil, onde vivi, a relação com a sexualidade e com o corpo é diferente da que estabelecemos por cá. Lá pude constatar, desengane-se quem pensa o contrário ou veja levianamente pecado somente para um lado, o do lado de lá do Atlântico, dizia eu que pude constatar que essa relação apenas é diferente e, em meu entender, mais saudável e menos cínica. Há dias, quando comprava o jornal, a capa da mais recente edição da Playboy portuguesa chamou-me a atenção. Por estar envolta num plástico, obviando a degustação visual que é um acto natural praticado por quase todos nós quando se trata de uma revista, e pela semi-nudez envergonhada e pálida da mulher da capa. Uma capa repleta de pudor, que podia muito bem ser a capa de outra revista de carácter geral ou mesmo feminina, cujo título poderia ser “proteja a pele sensível dos seus seios no Verão”, já para não falar na inexistência de nudez explícita no interior, em edições anteriores. Na Playboy brasileira, ou há dinheiro para aliciar personalidades públicas e actrizes conhecidas, como por exemplo as fascinantes Luma de Oliveira, Flávia Alessandra, Babi, Deborah Secco, Mel Lisboa ou Juliana Paes, ou se contratam desconhecidas que geram, como reacção imediata dos consumidores, frases do tipo “quero ver essa cachorra”. Não critico nem julgo os bons costumes, só que há negócios que não se compadecem com pudor. A Playboy faz parte de um desses negócios, mas parece que em Portugal quem a dirige ainda não assumiu o ADN da revista. O consumidor é implacável e as marcas que não assumem a sua essência e a sua razão de existência arriscam-se a serem mal sucedidas porque, neste caso, o pudor é inimigo do negócio. ** Fui alvo de censura, claro que fui. E intimado, ameaçado e julgado em praça pública. Ah pois fui. Só não me algemaram! A Justiça falhou, bolas!