Numa Porta que é do Vento, aborda-se o tema, bem escrito, de forma inteligente e curiosa, mas não menos controversa. O que é verdadeiramente importante quando se fala de cama é a intimidade criada pelo casal, uma conquista lenta, valiosa e insuperável, para usar as palavras que o Vento fez passar pela Porta, e o equilíbio que se adquire entre os que nela se deitam, para além do exacerbar dos cinco sentidos e da tal química, sem a qual a boa cama parece incompleta. E não se poderá falar de experiência mas sim de padrões que só ao casal cabe estabelecer. Pára aí! Quando o assunto é cama, não conseguimos resistir à tentação de evocar palavras e conceitos que contribuem para dourar a narrativa, tornando-a quase enternecedora e muitas vezes evitando a palavra sexo. Sem recorrer a estudos sobre o tema, que são como os que são feitos para aferir a inteligência, na maior parte deles falaciosos (não sei bem porquê, mas soa-me bem esta palavra neste contexto), nenhuma teoria me demove da ideia de que, para se ter boa cama, em primeiro lugar é preciso gostar-se de cama. Como um bom nadador precisa gostar de água e de nadar, ou um bom pianista precisa gostar de música e de tocar piano. Mas andemos para trás que este assunto, a meu ver, tem semelhanças com a dualidade de se abordar um negócio e fechá-lo. Duas etapas importantes em que a eficácia do negócio depende de ambas. Encaremos a abordagem ao negócio como os preliminares. Uma boa cama à noite começa com preliminares de manhã, que se prolongam durante o dia. Mas um negócio deve fechar-se. Working on it é interessante mas não desvalorizemos o do it. E fechar-se o negócio tem a ver com sexo. Cama é química e é legítimo enaltecê-la, mas também é sexo, por isso não me parece honesto contornar a física. E size matters, claro. O inverso foi criado pelas mulheres, aliando à genuinidade da afirmação um conteúdo carinhoso e enternecedor que tranquiliza os homens. Não se trincha um peru com uma faca de sobemesa ou de barrar manteiga, pois não?
8.10.08
Quando se começa um negócio deve-se fechá-lo. E bem.
Numa Porta que é do Vento, aborda-se o tema, bem escrito, de forma inteligente e curiosa, mas não menos controversa. O que é verdadeiramente importante quando se fala de cama é a intimidade criada pelo casal, uma conquista lenta, valiosa e insuperável, para usar as palavras que o Vento fez passar pela Porta, e o equilíbio que se adquire entre os que nela se deitam, para além do exacerbar dos cinco sentidos e da tal química, sem a qual a boa cama parece incompleta. E não se poderá falar de experiência mas sim de padrões que só ao casal cabe estabelecer. Pára aí! Quando o assunto é cama, não conseguimos resistir à tentação de evocar palavras e conceitos que contribuem para dourar a narrativa, tornando-a quase enternecedora e muitas vezes evitando a palavra sexo. Sem recorrer a estudos sobre o tema, que são como os que são feitos para aferir a inteligência, na maior parte deles falaciosos (não sei bem porquê, mas soa-me bem esta palavra neste contexto), nenhuma teoria me demove da ideia de que, para se ter boa cama, em primeiro lugar é preciso gostar-se de cama. Como um bom nadador precisa gostar de água e de nadar, ou um bom pianista precisa gostar de música e de tocar piano. Mas andemos para trás que este assunto, a meu ver, tem semelhanças com a dualidade de se abordar um negócio e fechá-lo. Duas etapas importantes em que a eficácia do negócio depende de ambas. Encaremos a abordagem ao negócio como os preliminares. Uma boa cama à noite começa com preliminares de manhã, que se prolongam durante o dia. Mas um negócio deve fechar-se. Working on it é interessante mas não desvalorizemos o do it. E fechar-se o negócio tem a ver com sexo. Cama é química e é legítimo enaltecê-la, mas também é sexo, por isso não me parece honesto contornar a física. E size matters, claro. O inverso foi criado pelas mulheres, aliando à genuinidade da afirmação um conteúdo carinhoso e enternecedor que tranquiliza os homens. Não se trincha um peru com uma faca de sobemesa ou de barrar manteiga, pois não?
5.10.08
Recantos de uma Lisboa que se os lisboetas quisessem também seria deles.
Há seis meses atrás escrevi umas breves linhas sobre um lugar que, paradoxalmente, evoca a noite mas onde se privilegia a luz. Disse que tinha gostado do que tinha lido, visto e ouvido. E que nos tempos que correm, em que a Natureza e o campo são valorizados e se sobrepõem à cidade, esse lugar nos trazia (e continua a trazer) uma Lisboa do dia-a-dia reflectida em fachadas com vida. E histórias do quotidiano contadas numa prosa poética, embalada em muito boa música. Hoje lembrei-me desse lugar, e da prosa que sendo poética não é menos real, quando passeava com os meus filhos mais novos depois de jantar, já o sol se tinha escondido dando lugar a uma noite límpida e tranquila. Os rapazes de bicicleta e a menina de patins, desfrutando despreocupadamente da serenidade da noite e de uma rua deserta ao lado de casa, sem que antes, imagine-se, tivéssemos tirado proveito do pavimento liso da estátua de Santo António, onde a Avenida de Roma se cruza com a da Igreja. E lembrei-me de uma Angola nocturna, de ruas sem carros num Lobito longínquo. Rimo-nos os três, cairam, eles dois, e aperfeiçoámos a disciplina e o método de nos confrontarmos com um ou outro automóvel que se atreveu a atravessar a nossa rua, numa apropriação singular e divertida. Pensei que as pessoas, muitas delas infelizmente não o podem fazer, mas outras poderão, deviam chamar a si o que lhes é devido, e porque não dizer, lhes pertence, se estivessem dispostas, claro está, a abdicar de outras coisas. Um destes dias peço, ou lanço o desafio à dona daquele lugar de que falei, que fotografe essa Lisboa que vivi este fim-de-semana. Porque eu apenas a soube viver, jamais a saberei fotografar. E acreditem que podia ser uma Lisboa de mais lisboetas do que muitos deles pensam. Se eles quisessem.A foto, tirada da net, não é de nenhum dos recantos de que falo. Apenas ilustra a rua que vivi este fim-de-semana com os infantes.
4.10.08
Vai levar muito tempo até envelhecer.
Vinte anos separam-no da irmã mais velha. Não me considero um pai tardio, antes um pai precoce, o que me torna, em alguns momentos, quase avô do mais novo, no meu quase meio século de vida. Para meu bem e para bem dele, que me saiu um corsário de fazer corar de vergonha o Barba Ruiva. Desisiti sequer de comentar com quem me é próximo, quão difícil é esse mini-corsário para evitar ouvir conselhos em tom paternalista de quem se esquece, os que não sabem sempre contaram com a minha compreensão e tolerância, dizia eu, de quem se esquece que é o meu quarto filho, não o primeiro. Sem falsa modéstia, posso afirmar que tarimba não me falta. Quando temos mais que um filho, lá vem a tal gestão de afectos impossível de contornar, conseguimos racionalizar e fazer uma espécie de enquadramento da relação entre nós. Provavelmente comigo é até mais fácil pelas diferenças de idades que os separam e pela vivência e histórias de vida que se foram desenrolando entre mim e eles. Amizade, companheirismo, sedução ou paixão, são adjectivos que podem qualificar nichos relacionais que desenvolvemos com cada um dos filhos. Com a amostra de corsário existe, definitivamente, uma relação de paixão. Uma relação de extremos, sempre nos limites, onde o meio termo não tem lugar. Ele foi, é e está a ser, a causa que me levou e leva permanentemente, a reequacionar o papel de pai. Sinto que sou melhor pai agora do que fui há uns anos atrás. É normal. Contudo tenho muito mais dúvidas e questiono mais vezes o meu papel de progenitor hoje do que fazia antes. Há dias comemorou o seu quarto aniversário e a prenda, uma surpresa que não imaginava, foi uma bicicleta de rapaz. Daquelas que, apesar de ter rodinhas, já é uma bicicleta a sério e de bombeiro. Daí para cá não temos feito outra coisa senão pedalar, o que me leva a ponderar retirar as ditas rodinhas antes de tempo. E digo temos porque me vi a pedalar outra vez na minha velha bicicleta. Logo eu que achava que a tinha arrumado definitivamente. Creio que vai levar bastante tempo até que envelheça. Bastante tempo até conhecer a serenidade das pantufas calçadas. Não tenho opção. E isso, sem que ele saiba, devo-o também ao corsário.
3.10.08
2.10.08
Vai estoirar ou...?
O meu pai, apesar de entender as explicações que lhe eram dadas, sempre achou estranho e de difícil compreensão, que alguém que tivesse um negócio, fechasse a porta do estabelecimento às sete da tarde, fosse para casa ter com a família, jantasse, dormisse uma noite descansada e no dia seguinte às nove horas, quando abrisse a porta, a empresa valesse mais sem que tivesse vendido um único produto, ou tivesse criado mais emprego, ou gerado qualquer tipo de riqueza. Como também tinha dificuldade em entender o inverso, ou seja, que a empresa valesse menos sem que tivesse sido assaltada, ou tivesse havido um incêndio, ou outra calamidade. Isto um dia vai estoirar, dizia ele. A minha compreensão foi mais além, apesar de ter que me esforçar e de entender a sua estranheza e cepticismo. Mas não foi suficientemente além para compreender a injecção de 700 bilhões de dólares para salvar um sistema falido e muito menos para compreender o facto desse dinheiro ir direitinho para as mãos de quem contribuiu para a sua falência. Consta que os prémios dos executivos das empresas americanas em causa e que foram a causa, rondaram um total de 10 milhões de dólares. A meu ver, foi muito dinheiro para recompensar uma incompetência que se vê novamente recompensada com o dinheiro dos contribuintes americanos. Bem sei que dificilmente haveria outra opção e que o dinheiro dos contribuintes acabaria invariavelmente, como acaba quase sempre, por ser a tábua de salvação, quiçá até de uma forma ainda mais penosa. Observo mercados em pânico, e não só na Terra do Tio Sam, mas por causa dela, pequenas economias de uma vida inteira de trabalho em risco, economias de países num permanente vacilar e confesso a minha incapacidade de compreesão para o facto de tudo isso poder estar nas mãos de meia dúzia de executivos e conselhos de administração pagos principescamente, para não dizer pornograficamente, e assistir ao premiar de tamanha incompetência, para não dizer leviandade ou preversidade. Espero que desta vez sejam criados mecanismos de controle para, no mínimo, os 700 bilhões não irem parar às mãos dos suspeitos do costume, contudo, acho que tinhas razão, pai. E não é um dia que vai estoirar. Já estoirou, apesar de, aparentemente, o dinheiro tudo apagar, mantendo um sistema falido. Já estoirou porque vivemos uma mentira velada.
Olha, fecharam-me a porta.
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